31 de janeiro de 2011

SANTOS


Depois de algumas horas de viagem chego em casa, trago na mala, saudades, lembranças e acima de tudo novos amigos. Por alguns dias estive em Santos, além da sua beleza marítima, cidade praieira e belas paisagens e de um imenso Porto, confesso-lhes que o que mais me surpreendeu foi a fé, a religiosidade de um povo. As missas semanais tem média de 100 a 150 pessoas e ao final de semana a Igreja transborda mais de 400 pessoas em cada uma das 5 missas no fim de semana. Ao convite do Padre Carlos, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida e por intermédio do Padre Caetano, aceitei passar uns dias nesta tão organizada paróquia. Desde que lá cheguei fui muito bem acolhido, pelos funcionários e pelos agentes de pastorais. Sempre dispondo de uma atenção singular ao jovem padre que se encontrava com eles. No inicio fui confundido com catequista, coroinha etc. Os olhares desconfiados aos poucos foram se transformando em corações ardentes pela chama do Espírito Santo. Foram celebrações dignas e recíprocas. Momentos de graças e bênçãos. Dias inesquecíveis, palavras e olhares gratuitos que encontraram no amor Deus um motivo a mais para viver e amar.
Agradeço a todos pelo carinho e amizade. Ao Padre Carlos e Padre Cateano primeiro obrigado pela presença na minha ordenação sacerdotal(14/12/2010), segundo por confiar a paróquia tão organizada e dinâmica a um jovem padre.  

30 de janeiro de 2011

MISSAS

LÁGRIMAS QUE ANUNCIAM VIDA NOVA

Perdão se hoje falo de lágrimas, perdão se hoje me apresento a você de forma triste e insatisfeito, quantas vezes nossa vida é assim. Se você tiver tempo e paciência, deixe-me partilhar minhas lágrimas com você, e se quiser partilhar as suas comigo, podemos juntos semear uma vida nova.
Gosto quando certo poeta declara acreditar somente em quem chora. Penso que quem chora abre dois caminhos na vida: aceitação da perda e a semente da vida nova. Quem chora declara através das lágrimas o desejo e a tristeza da perda. Quem chora declara o desejo e a esperança, ainda no inconsciente, de uma vida nova. Ao chorar rega sua vida com lágrimas para uma nova possibilidade.
Com as lágrimas saem os sentimentos de tristeza, de ódio, de medo. E dá lugar a uma nova chance.
Entendo que na vida, existem situações e pessoas que gostaríamos que fizessem para sempre parte de nossa vida. Mas não é assim. A chegada e a partida. A flecha e a cicatriz se completam, uma depende da outra.
Por isso quando alguém parte da nossa vida, abre um lugar para outra que chegará. É verdade que ao partir ela causa lágrimas que caem já anunciando que o lugar está livre para outra chegada.
Sei que em nossa vida nada e ninguém são pra sempre, nós somos passageiros. Porém antes do recomeço a pessoa que parte sempre vai nos fazer falta. O choro jamais será sinal de fraqueza quando se quer mudar.
Se hoje passei pela sua vida e você pela minha, vamos chorar juntos para que juntos desocupemos o lugar que já não nos pertence mais.
Pode ser que hoje na sua vida existam muitas lágrimas, saiba fazer delas esperança para uma vida nova. Saiba e aprenda libertar quem o fez ou você fazia escravo .
Nunca faça das lágrimas, revolta e ódio, pois assim você não estará anunciando vida nova, mas uma vida pressa num passado feliz ou triste, frustrante ou realizador, mas que não existe mais. Lagrimas são só choro quando não se quer mudar. Lágrimas se transformam em vida nova para quem tem coragem de aceitar e acima de tudo se despedir sem olhar para trás, mas acreditar que nas lágrimas derramadas há um recomeço nos esperando. Na saudade do passado há sempre um espaço para no hoje viver a vida nova e a felicidade do amanhã.


Meu Carinho, amizade e minha bênção.

26 de janeiro de 2011

NASCER DE NOVO: UM TEMPO LITÚRGICO

Gosto muito de admirar o tempo que caminha em seus dias, horas, minutos, mas nunca se esgota. Nunca se vence nunca se cansa, nunca descansa, nos levando ao movimento da vida, externo e interno.

O tempo me fez lembrar um tal Nicodemos que fora convidado por Jesus a nascer de novo. Jesus me faz lembrar da dialética vida e morte. Vida e morte me introduzem novamente no tempo que acaba de se fazer passado segundos e minutos. Fico pensando neste importante convite do nascer de novo. De como muitas vezes me pareço com Nicodemos.
Como às vezes nos apegamos ao que se passou, ou seja, aos fatos que o tempo já sacramentou e nos estacionamos ali, em lágrimas e lamentações. A proposta do nascer de novo vence qualquer tentativa externa. Antes é prerrogativa interna, é conversão de postura, de discernimento, de valores e ideais. O nascer de novo é antes despedida do mundo mordico que se alimenta em tempos de ilusões e paixões, de promessas e sonhos, de eterno e passageiro, do eu e do você. O nascer de novo é germe que rompe-se na esperança, que desocupa do lugar de alguém que já se foi, que enxerga luz na escuridão do desespero.
O tempo está no seu curso e muitas vezes não conseguimos ver além da morte, não a morte corporal, mas a morte interior, de sentimentos, vontades, ideais, autoconfiança, determinação. De nada adianta querer nascer de novo apenas pelo aspecto exterior se o interior continua morto.
Nos últimos dias tenho feito a magnífica experiência do nascer de novo. E agora sei por que Nicodemos nada entendeu da proposta de Jesus. Porque Nicodemos estava convencionado no passado e na sua morte interior. É preciso lançar no tempo e permitir que ele leve as coisas e as pessoas mordicas que não nos permite nascer de novo. É preciso a partir de agora, não deixar que o passado não nos faça esquecer o presente. O nascer de novo é o tempo do presente, dos minutos, dos segundos que se abrem para nós nos fazendo entrar neste magnífico movimento da vida: nascer novo, sem rinchas, mágoas, ilusões e amores, porque eles só nos aprisionam no passado.
O nascer de novo é um tempo litúrgico, ou seja, deve ser celebrado todos os instantes, porque é o tempo da felicidade hoje e não da saudade passada.

21 de janeiro de 2011

OS ENGANOS E AS PESSOAS

Acredito que as decepções são constantes na nossa vida. Talvez não haja ninguém que já decepcionou alguém ou se decepcionou com alguém.
Durante um relacionamento é comum as pessoas mudarem com relação às outras. Mas elas mudam por quê? Será que mudam porque nunca foram o que um dia aparentaram ser? Mudam por que se cansaram da relação existente entre duas pessoas? Mudam por não amarem mais? Mudam por que não há mais interesse de algo que a outra pessoa possuía? Mudam simplesmente porque cansaram de ser como eram?
Tantas perguntas, poucas respostas. Muito mais do que respostas, penso que precisamos buscar uma compreensão do nosso eu ao invés de ficarmos deitados em teorias que muitas vezes não se aplicam na prática.
Entendo que hoje as pessoas não se preocupam muito com o eterno, querem o passageiro. Muitos não querem compromisso, só querem momentos na vida. Tudo porque um dia já sofreram já se decepcionaram com o outro. Foram enganados por alguém com o passar do tempo. Na primeira vista a pessoa era alguém, ou pelo menos se aparentava ser diferente, mais com o tempo ela foi se transformando e a decepção veio na certa.
Quantas mulheres se decepcionam com os homens e vice-versa. Muitas amigas tristes relatam que os seus namorados com o passar do tempo mudaram, elas se enganaram com eles, porque na verdade não era nada disso do que um dia elas pensaram que eles fossem.....rs...O inverso também é verdadeiro.
Muitas vezes nos enganamos com as pessoas por que num primeiro momento, principalmente quando as conhecemos projetamos nelas alguém que elas jamais poderão ser...ou seja, idealizamos alguém, capaz de compreender nossos erros, escutar nossos desabafos, não condenar nossos pecados, de amenizar nossas carências, de amar quando queremos e na hora que queremos, chorar quando choramos e rir quando rimos. Esse relacionamento faz nos sentirmos iludido com tal pessoa, mais na verdade nos iludimos conosco mesmo. Por que num determinado momento ela responde as nossas ansiedades e expectativas. Não há crise, não há brigas, não há controvérsias. Até por que o outro nunca disse que seria o que a gente idealizou, na verdade ele foi a nossa ilusão até o momento que ele suportou, depois quando se sentiu sufocado, e conseqüentemente atribuímos nossas ilusões ao outro.
Ele(a) é o(a) melhor namorado(a) do mundo. Por quê? Porque nestes casos muitas vezes esta pessoa não viveu ela, mais viveu a outra(nós mesmos). Só pra fazer nossas vontades. Sendo assim percebemos que não nos enganamos com os outros, nos enganamos com nossas próprias ilusões, por alimentar dentro de nós alguém perfeito e capaz de ser tudo aquilo que um dia um(a) outro(a) não fora ou já fora.
Por isso antes de projetar no outro tudo aquilo que sonhamos e assistimos, precisamos tomar cuidado para não estarmos enganando a nós mesmos. E se alguém um dia nos enganou não fiquemos tristes, talvez, na verdade esse engano foi uma ilusão, uma projeção em alguém que jamais poderia ser o que a gente queria que ele(a) fosse. Assim descobriremos que o engano está dentro de nós e não no outro, isso nos ajudará a ver a felicidade dentro de nós e não somente dentro do outro.

20 de janeiro de 2011

DAS PEQUENAS COISAS MUITAS LEMBRANÇAS

Com o passar do tempo, com a nossa correria do dia a dia, vamos criando dentro de nós um sistema de esquecimento, devido às inúmeras informações e atividades que temos.
Acredito muito e admiro quando o poeta no seu momento de exaltação contempla coisas que julgamos comuns, mas é justamente delas que ele tira seus poemas e suas conclusões que muitas vezes aplicamos na nossa vida.
Quero dizer que se torna comum não percebemos coisas que antes tinham tanta importância pra nós. Por que?
Existem pessoas que passam dias, meses, anos, tentando conseguir, conquistar algo. Quando os tem, em curto tempo perde aquele encanto, aquela motivação que tanto o impulsionou na busca do ideal. E logo partem em busca de novos sonhos e conquistas. Não que eu seja contrário a busca de sonhos. Mas fico imaginando que já não conseguimos mais nos apaixonar pelas coisas e fatos importantes da nossa vida.
Mas o que intriga é justamente o fato de que muitas pessoas não querem mais se prender a ninguém, não desejam perceber e viver as coisas simples, os fatos corriqueiros, as graças e os risos do dia a dia. Quantas vezes sacrificamos nos pequenos gestos as atenções de pais para filhos e nós filhos para os pais. Quantas vezes trocamos as novelas pelas conversas familiares, os filmes pelos papos saudáveis com a vizinhança?
Entendo que viemos numa época em mudança e numa mudança de época, mas às vezes na minha solidão e nos meus pensamentos bate saudade do que um dia o mundo já foi. Tenho saudade do sítio, quando no cair da tarde nos reuníamos para partilhar as pequenas coisas da vida. Valorizávamos todas as coisas ao nosso redor, nossos pés de manga, de tamarindo, nossa mina d’água, nossas criações de aves e outros bichos. Nosso lar sem grandes estilos, mas de muito aconchego.
Hoje, não existem mais em nossa vida as pequenas coisas, gestos e feitos. Nosso cachorro já não é mais o mesmo, antes ele vigiava, hoje ele serve de desfile com seus aparatos, roupas, etc. Damos mais valor ao animal (que deve ter sim atenção) do que até mesmo as pessoas e nas pequenas coisas e fatos.
Quero convidar você que passa às vezes todos os dias neste lugar, em que trato com tanto carinho e aqui exponho meus pensamentos, minha vida, aquilo que sou; as minhas pequenas coisas, a redescobrir olhando sua vida e perceber quais sãos as coisas e fatos tão pequenos que já não fazem tanta importância. Talvez o bom dia, boa tarde, boa noite, abraços, declarações de esposo a esposa(vice-versa).
Nas pequenas coisas nos tornamos mais gente, e talvez assim como eu, quando você lembrar-se dessas pequenas coisas, se valorizá-las e vivê-las novamente terá a consciência de que nas pequenas coisas e fatos transformam nossa vida e a vida dos outros.
Se você é uma dessas pessoas que luta para conseguir aquilo que quer e logo que tem, desvaloriza e descarta. É sinal de que você está precisando se apaixonar e exercitar as pequenas coisas e fatos na sua vida, descobrir o que você quer da vida, qual o seu ideal, lembre-se para amar as grandes coisas e fatos é preciso entender e exercitar o simples e pequenos gestos.

19 de janeiro de 2011

HISTÓRIAS ILUMINADAS PELA CHAMA DE UMA LAMPARINA

Lembro perfeitamente das poucas vezes que dormi na família dos meus avôs maternos. Para nós crianças mesmo morando em sítios vizinhos era sempre uma aventura dormir na casa da vó. Talvez pelo motivo dos seus bolinhos de chuva eram mais saborosos, ou então se o seu pão caseiro, assado em forno de barro, envolto de folhas de bananeira verde, derretendo a manteiga caseira, feita de nata de leite que combinava com o café fraco, mas delicioso de minha vó. Não sei dizer se o seu arroz plantado e colhido pelo meu avô e levado a cidade apenas para seu beneficiamento tinha outros ingredientes, só sei que era diferente. Era uma família grande até então acostumada a viver debaixo de teto de palhas, madeiras e nos últimos anos; telhas. Um povo acostumado com o sol do dia, com a ausência na energia. Um povo sem TV, mas que contemplava nos mistérios da vida do pequeno foco de chama que se formava ao redor de uma lamparina movida a disel, numa roda de histórias contadas pelo meu finado avô João Scarparo. O vento que batia na pequena chama de fogo dava mais consistências às histórias de meu avô e traziam medo e temor, risos e pesadelos durante o sono....rs.....Mas dificilmente alguém deixava de participar daquela roda no começo da noite. Os barulhos dos bichos, muitos desconhecidos por nós, faziam-nos amontoarmos uns aos outros ao passo que o frio logo era aquecido pela aproximação humana, de pessoas que juntas pareciam viajar nas palavras sem estudo, mas de vida e sabedoria do meu avô. É claro que esta roda se formava numa sala simples de apenas um sofá, de cadeiras, de coisas que usávamos para nos assentar. O resto daquela grande casa era escuro. Por isso o brilho da chama da lamparina parecia um farol. Ficava ouvindo as historias e viajando no balanço dos movimentos que se formavam com o vento que batia na chama daquela lamparina feita pelo meu próprio avô. A fumaça que se misturava na escuridão se perdia na noite, assim como qualquer um de nós que quiséssemos nos aventurar sem aquela pequena, mas fundamental lamparina.
As histórias de meu avô sempre provocaram em mim saudades. Não que seja um eterno saudosista ou um eterno infeliz com o hoje. Não que seja um eterno pessimista sobre o amanhã. Não se trata disto. Às vezes à noite tenho saudades daquelas rodas ao redor de uma lamparina. Elas nos faziam tão bem, naquela mistura de ansiedade e medo. De riso e susto. De sonhos e realidades. Éramos mais humanos e mais família.
No entanto hoje, não precisamos mais de lamparinas, pois temos luzes em todos os lugares ao passo que a noite em certos lugares é mais claro do que o dia em outros. Também se acabaram as rodas ao redor de nossos avôs. Sim, é verdade que muitos já se foram. Mas os que não se foram gostariam de partilhar as suas histórias mais ocultas e quem sabe até mesmo inéditas que certamente seus pais lhes ensinaram. Porém parece que a figura de nossos avôs não tem muito mais importância na vida de muitos netos e netas. Pois os netos e as netas de hoje tem tantos afazeres, de estudo, passeios, atividades que não se importam mais com a cultura sábia de quem não pôde estudar, mas que sempre são mestres na vida. Pessoas estas que falam o que viveram e testemunham a verdade que nortearam ou norteiam sua vida. De pessoas que estavam ao redor de uma chama de lamparina mas que o tempo apagou esta chama e os esqueceram na sombra da noite.
Talvez você tenha em sua casa um avô assim, com histórias que você nunca teve tempo para ouvi-las. Acredite muitas delas são lendas, no entanto existem porções delas que você não irá encontrar em nenhum livro de auto-ajuda, em nenhuma novela, cinema, pois elas são reais e nos ensinam a viver e a vencer na vida, como poucos livros e mestres ajudam.
Fico pensado num mundo moderno em que cada vez mais pessoas se encontram na escuridão dos problemas da vida se esquecendo de seguirem as sábias histórias iluminadas pelas lamparinas, porque a fumaça das chamas estão cravadas no coração.

17 de janeiro de 2011

EMAUS RESGATE PARA A VIDA


Acredito que a maioria já leu, ou escutou no Evangelho, alguns dias após a Páscoa a Leitura dos Discípulos de Emaus.
Pra quem não se lembra; dois discípulos iam de Jerusalém para Emaus, uma pequena aldeia cerca de 11 KM de distância. Iam falando tudo o que havia acontecido na vida deles nos últimos dias. Jesus se colocou no meio deles sem que eles o reconhecessem e quis saber do que falavam. Eles ficaram indignados por Jesus ser o único a não saber sobre o ocorrido naqueles dias. Eles estavam como que cegos. Relataram para Jesus todo o fato. Jesus por sua vez revelou as Escrituras, faz ua pedagogia da fé, assim como Moisés o fizerá no deserto.Numa determinada altura do caminho Jesus fez que iria para outro lugar, mais eles insistiram e pediram que Jesus ficassem com eles. No partir do pão eles reconheceram Jesus e perceberam que quando Jesus lhes falava, lhes ardia o coração.
O que isso nos ensina? Muitas coisas. Acredito que todos nós deveríamos também fazer nossa caminhada até Emaus, que na verdade é um grande resgate da vida.
Pois acima de tudo ela significa rever nossa própria vida e tudo aquilo o que somos e que fazemos. Das nossas decepções com as pessoas, com as coisas e com o mundo. Toda a nossa frustração diante daquilo que tanto depositamos nossa confiança. Sair de Jerusalém é sair do nosso mundinho cercado de mentiras e comodismo para ir ao encontro daquilo que também existe dentro de nós, ou seja, a Emaús. Só que com o tempo vai nos cegando e ocultando a verdade. Na correria do nosso dia a dia vamos esquecendo da nossa própria capacidade de acreditar em nós e as vezes nas pessoas, pensando que tudo é uma grande farsa.
Sempre que faço minha caminhada no fim da tarde, vou revendo a minha vida, o meu dia, vou falando comigo mesmo e também escuto a mim mesmo. Parece estranho, mais a dinâmica da vida é assim. Sempre me vejo como eu sou, como os outros pensam e como devo ser diante das mais diversas situações que a vida apresenta. Penso no ideal e nas ilusões. Na razão e na emoção. O que mais me alegra é saber que Jesus caminha comigo e sempre me ajuda a ver a verdade.Não permitindo mergulhar as mentiras e na cegueira.
É só no caminho de Emaus(revisão de vida) que percebemos as bobagens que fazemos, as pessoas que magoamos e o que deveríamos fazer e não fizemos. Por que isso? Por que é o momento que nos encontramos conosco mesmo. Mais é preciso ter a coragem de deixar a cegueira de lado para conseguir na caminhada rumo a Emaús rever a vida, ter a certeza de que muitas coisas boas já aconteceram e muitas vezes as mentiras e a própria cegueira nos impedem de ver.
Caminhar até Emaús não é  uma demonstração de fulga dos problemas e das frustrações. Mas a coragem e a atitude de que sempre encontremos Jesus nos fazendo pensar e acreditar que nos caminhos da vida, quando o nosso coração arder significa que Deus está agindo na nossa vida, e revelando aquilo que os nossos olhos estão cegos e não podem enxergar.

16 de janeiro de 2011

QUANDO A ILUSÃO ESCONDE A CERTEZA DO ERRADO


Entendo que na vida existem situações, problemas, dificuldades. Sei que cada um de nós tem seus planos, elabora de forma virtuosa seu agir moral, suas metas miram a justiça, nas noites do inconsciente tem seus sonhos, cujos prefiro chamar de utopia. Porque a meu ver a Utopia desvincula do inconsciente e nos leva ao consciente, a prática, a busca, a luta.
Tudo isso faz parte da vida da nossa vida, de nosso dia-a-dia. Porque enquanto pessoas racionais temos a faculdade do raciocínio, por um processo seletivo de idéias e imagens que passam pelo nosso cérebro e elabora nossa inteligência.
Tantas palavras difíceis, complicadas para se aplicar num algo simples que é o viver. Hoje embora o tema de nossa reflexão nos induza a algo negativo, pessimista, desesperançoso, frustrado mas não é. Prefiro dizer que estamos falando num momento desconhecido em que o certo esconde o errado, quando a ilusão domina a certeza e escraviza o amor.
Quem de nós um dia, uma vez não se sentiu convicto de uma realidade e por ela investiu tudo, tempo, amor, doação, entrega. Passado o tempo a tristeza desmente a aposta transformando-a em decepção. Não que por justificação se diga: “ é preciso tentar sempre “. É verdade, porém, é preciso saber quando o tentar se transformou numa arma do errado. Existem coisas que por natureza e lógica são claras e obvias para o nosso discernimento, o sal do açúcar, a água do fogo e o errado do certo.
Conheço pessoas e também me incluo nesta lista, nas vezes que insistimos na certeza do erro. Que nada mais é do que o medo de olhar para frente e reconhecer o fim de uma situação, o fim de um estágio. Se deixar levar pela ilusão da certeza do errado é prolongar o sofrimento todos os dias para o amanhã, é não viver o hoje, é alargar a ilusão e vegetar sem perspectivas de um novo recomeço.
Eu acredito que nessa relação do certo, errado, onde eles se entrelaçam e se escondem de forma perfeita, racional e emocional.
Sair das  inúmeras situações que na própria vida deixa a certeza do errado falar mais alto. Quando na verdade o errado que já existe e sabemos que deveria apontar para a certeza.
Pode ser que na sua vida, assim como na minha, existam vários caminhos de certeza que conduzem ao errado, caminhos de erros. O que falta a nós é aceitarmos, é anteciparmos um fim, desfazer a espera, o sofrimento, é chorar lágrimas que cultivem, que semeiem nossos acertos.
Quantos planos, projetos em nossa vida particular, profissional, amorosa, comunitária já se iniciam na certeza do erro e com o tempo a certeza vai desvelando o errado deixando a frustração que por muitas vezes ou por muitas já fora antecipada.
Para a caminhada reconhecer o errado é o primeiro passo. É deixar nascer o certo que por muito tempo esteve oculto dentro do errado.

15 de janeiro de 2011

QUANDO NOS SENTIMOS DERROTADOS

Acredito que sempre passamos por momentos na vida que nos sentimos assim: totalmente derrotados. Qualquer que seja o motivo, seja uma tarefa que não realizamos, algo que perdemos para alguém, enfim são tantas as situações que a gente se sente derrotado. De ter fracassado naquilo que realizamos.
Sempre olhei para as derrotas e para os fracassos com um olhar negativo. Assim como você, também me sinto mal, passa pela gente aquele mal estar por não ter conseguido se livrar da derrota. Já tive na vida muitas derrotas e já as lamentei muito. Nunca tive problemas com o psicológico, mais conheço pessoas que são eternamente derrotadas na vida. Conheço pessoas que desenvolve dentro de sim um bloqueio com relação as coisas que eventualmente teriam que tentar, arriscar, lutar na vida. Para mim também a derrota sempre é algo que  me envergonhava muito e chorava demais. Principalmente quando eu percebia que outras pessoas conseguiam realizar algo e eu não. Me sentia inútil, incapacitado, as derrotas sempre me fizeram muito mal. Sofria muito comigo mesmo, aliás, era uma briga dentro de mim com relação as derrotas, principalmente em aceita-las.
Até que um dia um sábio amigo que já mora no céu, me fez enxergar o avesso da derrota. O avesso da derrota é exatamente o momento que a gente nunca se lembra, mas é a grande virtude que existe dentro de nós. Para chegarmos saber se fomos derrotados ou não, precisamos passar por um caminho de luta, batalha, intensidade,risco,tentativa, tudo isso é o avesso da derrota. Porque na verdade a derrota um dia fora tudo isso. Assim aquele senhor que ensinara naquela noite tão fria e tão desanimada que eu passava na vida que a derrota não era conseqüência do fracasso, mais sim de quem tinha lutado e se exposto para alguém ou para algo. Ele me fez olhar o avesso de uma situação que nunca havia parado para dar valor. Nunca havia pensado que o avesso de algo era tão bonito. Que olhar o avesso da derrota despertava dentro de nós um orgulho que é maior que o fracasso. Isso me fez pensar e encarar a vida e meus objetivos de outra forma. Desde então sempre lutei por aquilo que julgava certo, mesmo quando não conseguia realizar, depois da derrota eu sentava e dava boas risadas e via o quanto eu havia me dedicado e batalhado por algo. Cresci muito com isso. As derrotas que sempre me fizeram muito mal, foram as que mais me ensinaram a crescer. Com elas passei a conseguir as futuras vitórias que sempre vieram pela consequência da derrota do ontem.
Não podemos desenvolver a derrota dentro de nós sem antes ter tentado, batalhado. Existem pessoas que para elas nada dá certo, desenvolvem um lado tão pessimista bloqueando qualquer tipo de atitude que possa existir. São pessoas que estacionam nas derrotas da vida e isso faz com que as conquistas e as vitórias estejam sempre distantes delas.
Pode ser que sua vida hoje esteja assim, você só assimile a derrota, tudo o que você faz não prospera e você  já se acostumou com as derrotas e nem tem mais vontade e iniciativa para lutar. Pois sabe que a derrota é certa. Pare um momento na sua vida e admire as derrotas, tente ver o avesso delas, só assim você perceberá o bonito que existem nelas é o  impulso você precisa para voltar a brilhar e a lutar. Tenha certeza de que olhando o avesso das derrotas você estará semeando as as futuras vitórias, pois as derrotas na grande parte da vida servem pra nos ensinar como devemos e podemos vencer futuramente. O velho ditado serve aqui: É melhor ser derrotado lutando, do que ser derrotado sem mesmo tentar. 

14 de janeiro de 2011

PELICANO EUCARÍSTICO

Símbolo de Cristo
e do Sacerdote

Sempre e por toda parte a refeição foi símbolo de união. Para nós, cristãos, a refeição por excelência é a Eucaristia, com caráter de sacrifício e de ação de graças, como perpetuação do único Sacrifício de Cristo para a Igreja e para a salvação do mundo.
São Jerônimo, num comentário do Salmo 102, disse: “Sou como um pelicano do deserto, que fustiga o peito e alimenta com o próprio sangue os seus filhos”. Assim, o pelicano torna-se o símbolo do sacrifício e da doação de Cristo pela sua Igreja.
A principal característica do pelicano é única: uma bolsa membranosa que prende o bico, duas ou três vezes maior que seu estômago, que tem a finalidade de armazenar alimento por um determinado tempo. Assim, como a maioria das aves aquáticas, possui os dedos unidos por membranas. Eles são encontrados em todos os continentes, com exceção da Antártida; medindo até três metros, de uma asa a outra e pesando até 13 quilos.
Os machos são normalmente maiores e possuem bicos mais longos que as fêmeas e alimentam-se de peixes.
Na Europa medieval eram considerados animais especiais e zelosos que alimentavam os filhotes com o alimento que extraíam da sua própria bolsa e chegando a faltar alimento, dava-lhes o seu próprio sangue. Daí tornar-se um símbolo da Paixão de Cristo, da Eucaristia e da imolação, costumando a sofrerem de uma doença que os deixavam com marca vermelha no peito.
 Outra versão de que eles costumavam matar os filhotes e, depois, ressuscitá-los com seu sangue, o que seria análogo ao sacrifício de Jesus.
Fiel Pelicano, Senhor Jesus! Assim Santo Tomás chamava o Cristo em seu Hino Eucarístico, conhecido como “Adoro te devote” e reconhecia no Cristo a beleza da ave que alimentava com seu sangue os filhotes.
Com o passar do tempo, soube-se que na verdade o pelicano esmagava em seu papo os peixes e o sangue dos mesmos,  escorria pelo bico, manchando o peito branco da ave. Com isso, Santo Anselmo reconhece na figura do Pelicano também o sacerdote, que em suas mãos oferece o Peixe (ICTUS: "Iesus Christos Theou Uios Soter", que significa "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador") e dá aos seus como alimento de Vida Eterna.
Temos consciência de que Eucaristia é a renovação da aliança do Senhor com os homens e que através dela se realiza de um modo contínuo a obra da Redenção. Temos convicção de que a Eucaristia é o sinal da unidade e vínculo da caridade e que também dela tende toda ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda sua força (cf. SC. 522, 537, 537 e 600).
Que o Fiel Pelicano nos ensine amar mais a Eucaristia, Sacramento no qual Jesus se acha presente, com seu corpo, sangue, alma e divindade. Ele é banquete sagrado, “o pelicano fiel a nos inundar com vosso sangue, sangue no qual uma só gota pode salvar o mundo inteiro” (Santo Tomás de Aquino).

Artigo de Padre Renato Tampellini

13 de janeiro de 2011

UM DEUS PERTO DE MIM


Desde muito pequeno embora não tivesse numa religião, aprendi com meu finado avô DAVID, de que existia Um Deus. Mesmo ele sendo da Congregação Cristã no Brasil, o que mais lhe aflorava na sua fé simples e humilde era a certeza de Um Criador que lhe gerava um sentimento e uma convicção de criatura amada pelo divino. Meu avô paterno DAVID fazia questão de deixar a Bíblia Sagrada, num lugar solene, de destaque. Falava do Sagrado com respeito e humildade, era um autêntico pregador do que Ele aprendeu oralmente. Não discutia doutrina, não fazia pouco caso de uma ou outra religião, porque sabia que Deus era Somente Um. Mas para mim o Deus que meu avô falava não estava ao meu alcance. Imagina que Ele nem sabia que nós existíamos. Aquele homem de apenas uma visão, de cabelos brancos, de mãos calejadas e de palavras santas e sagradas. Seu amor e carinho pelas criaturas irracionais o faziam o homem-irmao. Ele era uma expressão clara do amor, do perdão e da misericórdia de Deus emprestada num homem do campo. Meu avô fazia Deus se achegar perto da gente. Amenizava minha curiosidade de saber como Deus é.
Aos fins de semana ia para lá. No sábado ajudava meu Avô David a limpar aquele gigantesco, lindo e misterioso bosque, com a vassoura caseira, varríamos a folhagem da semana, com uma carriola que pelo meu tamanho mais parecia um avião....rs... Enchíamos de folhas secas e as levávamos para outro lugar. Aquilo para mim era satisfação, pois estava junto com meu avô, partilhava de suas histórias, de seus assovios, de sua voz afinada que de quando em quando entoava uma moda de viola. Quando silenciava, Deus falava em sua criação. Sentia-me bem ao lado de homem de Deus.
Enquanto estávamos no Bosque, minha avó Tica se encarregava de preparar o almoço num fogão a lenha que desde as 4 horas da manha já estava acesa. Às 9 horas da manha minha avó ia até nós e anunciava o almoço que tinha comida era simples e um sabor de felicidade. Isso se repetia às 13hs, no café da tarde com tinha pão caseiro, bolo de fubá, bolinho de chuva, bolacha Mabel ou pão mão molhado no ovo batido e depois frito. A janta sempre era parecida com o almoço. À noite meu avô e minha avó ao som de um rádio a pilha sempre sintonizado na AM dançavam. E eu era o sonoplasta.
Sempre me encantaram suas palavras quando no fim do domingo voltava pra casa, que ficavam alguns quilômetros dali, depois de lhe pedir a benção ele dizia: “... DEUS TE ABENÇOE, VAI COM DEUS, E QUE NOSSA SENHORA E OS ANJOS DA GUARDA TE ACOMPANHE...”. Embora os quilômetros fossem poucos, mas com aquela minha bicicleta pequena demorava uma eternidade. Confesso que a bênção do meu avô me acompanhava pelo meu caminho. E se durante o caminho sentisse medo de algo, bastava me lembrar daquele Deus que meu avô havia invocado para me abençoar. De alguma forma Ele me acompanhava pela estrada. E de outra forma aquele Deus que eu julgava estar tão distante de mim, naquele momento se fazia tão próximo, tão perto e aquele Deus passou a ocupar um lugar especial na minha vida.
Ao chegar a casa sentia-me feliz, pois como era bom estar junto com quem à gente ama poder ajudar meu avô no seu trabalho e ser ajudado por ele na minha vida. Além do tudo meu Avô tinha a condição de trazer Deus tão próximo de mim. A noite rezava por aquele homem que em sua simplicidade e humildade trazia os traços de Deus e Deus através daquele simples homem se fazia cada vez mais próximo e mais junto de mim. Minha semana de aulas, trabalhos iniciava já na espera de novamente estar perto daquele Homem que tinha o dom de encurtar a distancia entre Deus e um menino sonhador.
Foi assim que descobri que Deus se faz longe para aqueles que não acreditam e não para os que acreditam. Pois os que acreditam trazem Deus dentro da sua vida. Como é bom saber que existe um Deus tão próximo de nós. Deus muitas vezes se encontra dentro de nossa própria casa, mas não temos a coragem e percepção de encontrá-lo, porque ainda não nos encontramos.