29 de outubro de 2011

FINADOS: SER E ESTAR


Chegou o dia de FINADOS. Um ato realizado e introduzido pelos cristãos desde o II século. Não vou entrar aqui em juízo de valor, não vou criticar, e nem julgar seu credo, sua crença, isto só cabe a Deus.

Afinal como já refletíamos, somos todos semelhantes, humanos, isto quer dizer que todos podem se abrir para Deus.
Mas quero refletir sobre o dia de FINADOS. Quando era criança, para mim este dia(02 de novembro) era um dia muito esperado. Pois era um dos dias por exceção que migrávamos do sítio a cidade. Não sabia ao certo o que se fazia, no dia de FINADOS, mas gostava de fazer duas coisas, além do passeio à cidade: Comer as doces e saborosas melancias que se tinha uma vez ao ano e também ficava ao lado dos irmãos e pais admirando as esculturas dos túmulos. Elas me chamavam atenção mais do que os enterrados de nossa família, até porque eu não conhecia nenhum deles. Gostava de uma escultura em particular. Era uma escultura de um Senhor de braços abertos, subindo ao céu. Esta me cativava, eu a admirava mais do que as outras.
Com o tempo percebi que aos 02 de novembro de todo ano, mamãe e pai, levava velas, flores aos nossos parentes e deixava lá ao pé daquele simples e humilde túmulo. Só fui sentir de fato o que é ausência de alguém quando faleceu meu avô paterno, JOÃO SCARPARO. A partir de então ir ao cemitério não era mais comer melancia e nem contemplar as esculturas dos santos, dos anjos, mas era ir até onde estava meu avô. As flores e as velas se misturavam com as nossas lágrimas de nossa saudade, que permaneciam por ali. Aos poucos fui aprendendo o significado da morte. Fui me tornando conhecedor do choro e da saudade, da partida repentina e da ausência futura. Assim minhas velas e minhas flores começaram a ter sentido e simbolismo, fé e esperança. Hoje já crescido percebo a importância de irmos com nossas velas e flores, num gesto de esperança, de confiança, respeito e certeza. Certeza do que? Certeza de que nós não fomos feitos para a morte. Nossa vida é muito mais, a vida transcende qualquer partida. A morte não é SER, é ESTAR. E Estar não é eterno, mas é passageiro, é momentâneo. A morte é um dado intrínseco em nós humanos. Mas a morte nunca será o fim. É fim de uma caminhada, ou um caminho aqui na terra. É fim de um laço criado para vivermos humanamente como parentes, amigos etc. O estado de mortal todos iremos passar.
Assim o estar morto dá lugar para o Ser eterno: A VIDA. O estado mortal é superado pelo ser eterno da vida.
Talvez por estes dias você esteja vivendo um LUTO por alguém. Alguém tenha partido há pouco tempo. Talvez quando se aproxima este dia, a saudade, a dor, as lágrimas chegam por conta própria. Chore sim, tenha saudade, deixe doer. Mas tenha a certeza de que a morte é estar e a vida é ser. Lembre-se sempre: seria muito incoerente termos sido diferenciados dos animais irracionais para nossa vida acabar na morte. Meu amigo e minha amiga não procure a morte entre as lembranças, as saudades, as dores. Ela foi vencida, a morte foi o rebento para vida.
No entanto, há tanta gente vivendo mortas por aí. Há tanta gente que insiste em deixar morto, quem já vive. Há muita gente aprisionando os mortos na sua consciência. Há tanta gente desprezando a vida e pedindo a morte.
No momento que eu deixei de sustentar os que morreram como mortos na minha vida, eles viveram e foram para o céu. Eu tive certeza de o que estava morto dentro de mim, ganhou vida nova e de que a morte é estar e a vida é ser.
Meu carinho, amizade e minha bênção
Padre Renato Gonçalves

7 de outubro de 2011

OS FILMES DA VIDA

Estes dias após ver ao um filme – que por sinal já reprisou muitas vezes na TV e certamente reprisará outras vezes – pensava numas coisas que nunca havia pensado, talvez sou o único, mas gostaria de partilhar um pouco com vocês.
                Existem filmes que passam e mesmo já tendo assistido sempre dizemos que já assistimos e não vamos vê-lo novamente, porém quando chega aquela hora não resistimos e nos damos enfrente a TV. É sempre assim vemos muitas vezes aquilo que já vimos várias vezes e assim será. Quem de nós nunca assistiu TITANIC uma revolucionária obra cinematográfica. Eu já assisti várias vezes, e continuo assistindo, quando posso, toda vez que é reprisado. E por mais que a gente assista, quem de nós mesmo já sabendo toda a história desejamos que ver algo diferente. Quem de nós esperou que em alguma vez que o assistimos torcemos para que ele não se colida com o ICEBERG. Assim são vários os filmes, dei um exemplo do TITANIC, mas é verdade que existem outros.
                Por que digo tudo isto? Simplesmente porque a nossa vida é um filme, raras não são as vezes que reprisamos as cenas do filme da nossa vida, mesmo sabendo o seu final. Quantas vezes nos afundamos em problemas e situações que já nos sufocaram e nos fizeram sofrer, mas mesmo assim o filme da nossa vida continua se represando sem cessar.
                Quantas vezes não queremos mudar o filme da vida dos outros e esquecemos de assistir o nosso próprio filme, cuja essência é a nossa vida. Assim vão se reprisando no filme da nossa vida, tudo aquilo que devemos deixar de lado. Por isto assistir ao nosso próprio filme é ver que ele se difere dos filmes de TV no seu desfecho. Assim temos a obrigação de dar sempre um final diferente para o final do filme da nossa vida.
                Conheço pessoas que já se acostumaram e se acomodaram com o filme da vida, e continuam no mesmo final, sem coragem para mudar. Querem antes sempre assistir ao filme da vida dos outros e desejam mudá-los. Mas esquece de mudar o próprio filme da sua vida.
                Toda vez que assisto a um filme reprisado ele me faz questionar e pensar na minha própria vida. Mostra-me o quanto eu preciso a cada dia planejar e vivenciar um final ou um capítulo, ou cena diferente na minha vida, para que ela não seja monótona e repetitiva como os filmes de TV que não podemos mudá-los.
                Olhar para estes filmes de TV e olhar para os filmes da nossa vida. A única diferença é que os filmes da nossa vida, nós somos os verdadeiros e vivos protagonistas, assim podemos sempre mudá-lo e escrevê-lo a cada dia com nossas alegrias, esperanças, tristezas, lágrimas, perdas e conquistas, mas temos a oportunidade se sempre começar. Já os filmes de TV são como são, tristes, felizes, há sempre um bandido e um mocinho, alguns deles irreais, outros ilustração daquilo que foi, mas que já não podemos mudá-lo mais.
                Nos filmes de TV, os personagens (na maioria são fictícios), e nós somos os espectadores. Já os filmes da nossa vida, nós somos os protagonistas reais e as outras pessoas os espectadores, que choram ou riem dos nossos filmes, que batem palmas quando acertamos, mas que nos cobram quando erramos.
                Por fim quando você ver o reprise daquele famoso filme de TV, tente perceber como anda o filme da sua vida. Se ele lhe parece reprisado como o filme de TV, é sinal que sua vida está monótona e precisa urgente de um novo roteiro para o filme da sua vida.

Padre Renato Gonçalves