23 de fevereiro de 2012

Cinzas de uma Quaresma

As cores sempre são sugestivas, tocam nossa imaginação e atiça nossos gostos e criatividades. A liturgia se apropria das cores e na sua é dinamicidade possibilita mutações no decorrer do ano. O motivo da celebração se esconde por de detrás das cores que por sua vez e no seu tempo revela o essencial de cada ato litúrgico. Durante um tempo se celebra com a cor roxa o tempo favorável, a Quaresma, 40 dias iniciado numa Quarta que é de Cinzas. No calendário civil e uma quarta comum e o seria para nós também se ela não fosse de cinzas, e, se com as cinzas e a cor roxa usada na liturgia não nos emergisse no mistério que o tempo de parada, reflexão, oração, jejum, revisão de vida é o maior fundamento destas cinzas e do roxo que será usado durante todos os quarenta dias da quaresma.As cinzas postas em nossa fronte com o apelo um de conversão nos lembra do muito pouco que somos, de nossa inegável fragilidade humana, é dialética de um tempo no tempo do nascer, viver e morrer, inatos em nós humanos. Mas não podemos esquecer que a quaresma se celebra em função de outra particularidade, UM tempo, dentro do tempo que florirá, ou encaminhará nossos passos, vidas, corações e recomeço num outro tempo, a páscoa (passagem da morte para vida).Portanto, as cinzas e o roxo têm fim marcado, com a proposta litúrgica da ressurreição na Páscoa eles se justificam no seu significado de atos e cores. Enquanto pó de cinzas e a limpeza interior que o roxo propõe no cérebro pra vida. Não nos esqueçamos que as cinzas do hoje foram os verdes, bonitos e esperançosos ramos de um ano atrás, e nos lembremos também que os ramos verdes daqui a 40 dias serão as cinzas de um futuro incerto. Por isto as cinzas da quaresma têm a função pedagógica que lembre nos recordar que é possível o recomeço, mas que seja um recomeço de vitórias e a prevaleça a vida, que será gerada na quaresma e florirá n páscoa. Quaresma é muito mais do que um tempo no tempo é uma maneira de viver e se deixar transforma pelo convite da liturgia.
(No dia 22, quarta-feira de Cinzas passaram pela Igreja Matriz Divino Espirito Santo cerca de 1.200 pessoas nos horarios das 3 missas)

9 de fevereiro de 2012

Placas da Vida

 Hoje quero partilhar com você um pouco mais da minha vida. Quando morávamos no sítio, depois de anos e anos vivendo, correndo, conhecendo cada centímetro daquilo que chamávamos de “antiga estrada” que liga Araraquara a Guarapiranga e Ribeirão Bonito. Um dia recebemos a notícia que ela iria ser asfaltada. Por instantes sentimos alegria, pois os nossos problemas com a chuva , que deixava aquela estrada lisa que quase nenhum carro passava, seriam resolvidos.
O asfalto chegou, trazendo com ele toda a força da modernidade, aquela simples e humilde “antiga estrada”, se transformava em Rodovia. As placas foram espalhadas por todos os cantos e lugares. Na inocência e ingenuidade de criança ficávamos pensando o porquê das placas, pois nós conhecíamos a nossa antiga estrada de olhos fechados. Porém muitos motoristas não, elas tinham função de informar as várias curvas que nossa antiga estrada apresentava. O transito aumentou consideravelmente, e já são via mais bicicletas, carroças, porque a velocidade dos carros que percorriam a agora rodovia e a nossa “antiga estrada”, também se multiplicou e percebermos que a poeira que se levantava da “antiga estrada” não era tão prejudicial como o perigo que a rodovia trouxe.
Com o passar do tempo às placas foram envelhecendo, atacadas com tiros, derrubadas, entortadas por pessoas  e por motivos desconhecidos, como aquelas pessoas que já são desorientadas na vida e nunca aceitam que a gente mostre o caminho certo. Assim o percurso da nossa “antiga estrada”, hoje rodovia, notamos que muitas placas ao invés de orientar acabavam desorientando.
Pois bem, o que as placas, a “antiga estrada”, a rodovia tem haver com tudo isto? Acredito que na vida temos pessoas que são placas, estão sempre nos orientando, mostram as curvas perigosas, as decidas e subidas da vida. Quando estamos contramão, quando temos que parar. A velocidade que temos de andar na estrada da vida. Revela também quando estamos no caminho errado, mostra-nos que mais a frente existe um retorno, mesmo que tenhamos de andar alguns kilômetros no erro logo à frente encontramos o retorno, que na verdade é também uma conversão de caminho, de estrada, de vida.
No entanto aquelas pessoas/placas que tentam nos desorientar, boicotar, placas podres, mercenárias, mesquinhas e que seu fim serão o que foram sempre. Não preocupemos com elas. Antes diminuamos a velocidade da vida e dos passos para que estas pessoas/placas desleais não desoriente nossa vida e não nos tire do caminho da verdade. Assim podemos continuar nosso itinerário em antiga estrada, em rodovia, em caminhos de fé. Anunciando no horizonte da vida a beleza da verdade e da justiça e rezando pela conversão de muitas pessoas/placas.