Com a chegada desse tempo frio, chegam também às lembranças carregadas de saudades. Em geral poucos gostam do frio, eu prefiro gostar o que ele me lembra, do que ele provoca em mim.O frio me faz sempre viajar com as palavras no tempo, basta fechar os olhos e ter sensação de estar vivenciando tudo novamente. Parece ser tão real que muitas vezes as lágrimas correm pelo rosto, vão abrindo caminhos e aumentado a saudade e a saudade vai guiando-as através do tempo. O frio me faz lembrar o sítio. É verdade que era tempo difícil, o frio era mais rigoroso, mais intenso e as condições de vida eram menos favoráveis. Nossa casa era simples, humilde. Bem! Permitam-me que eu descreva nossa casa. Era uma casa antiga, janelas e portas de madeira com frestas deterioradas pelo tempo que serviam para entrada e saída de brisas, ventos e também sonhos. O telhado desgastado pelos anos não tinha forro, era tecido por algumas teias de aranha que ali na nossa casa, fizeram suas casas. Naquela casa de 5 cômodos, nos dias frientos e de modo especial aos sábados o que mais gostávamos(meus irmãos e eu) era de acordarmos cedo e correr para cozinha. Lá existia todo um clima, não que em nossa cozinha existisse grandes apetrechos, pelo contrário era simples(fogão,geladeira,estante velha,uma mesa de madeira), mas ali naquele lugar tão simples havia algo que pouco se encontra hoje. Era um fogão a lenha dos antigos(a prova era as paredes escuras pela sua fumaça), grande, espaçoso com forninho e tudo(como a gente dizia lá no sitio). Quando acordávamos, papai(trabalha na pedreira) e mamãe(na cidade) já haviam saído pro trabalho(grandes pais temos, nunca mediram esforços pra nós) sob o fogão à lenha, o coração da casa, havia o bule de café, com alguns bolinhos de chuva feitos por mamãe. As brasas esquentavam nossas vidas e nossos sonhos. Subíamos no fogão na parte que se põem lenha. Ali projetávamos nosso dia. Dia de gente do sítio, dia de criança, tínhamos nossa fazenda, nossa pedreira, nossa usina, tudo em brinquedo. Mas que pela nossa dedicação eram tão reais como as roupas sujas ao fim do dia, como os roncos dos motores de caminhões, tratores, carros que imitávamos.....rss.....era tudo tão real, que os exageros de velocidade, de manobras com os brinquedos, muitas vezes era corrigido pelo meu saudoso irmão do céu com uma simples frase: "carro de verdade não faz isso"... .-. Sob aquele fogão íamos tomando nosso café, aquecendo nossos sonhos e acabando com os bolinhos de chuva. Aquele fogão era nosso depósito de sonhos, de confissões, de brigas(rs). Ah! Os nossos sonhos! Quantos deles nós realizamos, quanta saudade do fogão, da vida simples, do meu irmão Rodrigo. Por isso que nos dias mais frios nunca me esqueço do fogão à lenha, a vida simples. Das coisas mais absurdas que sonhávamos e eram depositadas no silêncio daquele fogão. O dia frio não conseguia nos vencer, ou melhor, vencer aquele velho fogão que durante mais de 8 anos sonhou conosco e ouviu nossas confissões. Hoje o fogão e um de meus irmãos não existem mais, os sonhos sim, o frio também e por conseqüência a saudade. Quero lhe dizer hoje que o frio me faz lembrar de quando os irmãos sonham juntos, se ajuntavam e ali partilhavam a vida, fazia família. As coisas mudaram hoje cada um segue sua vida, toma o seu café, faz sua refeição, tem o seu sonho pessoal. As coisas pioraram irmão tem ódio de irmão, irmão mata irmão, irmão destrói o sonho de irmão. Naquele tempo o velho fogão a lenha servia para nos unir e nos esquentar, hoje com tanta mudança percebo que há necessidade de muito mais do que um simples, velho e aposentado fogão a lenha para aquecer o frio, o coração e partilhar os sonhos que juntos se realizam mais fáceis. Porém quem teve seu fogão à lenha sabe que teve um tesouro na sua história, que nem o tempo, nem o mundo, nem as pessoas conseguem tirá-lo da nossa vida. Só quem morou no sítio é capaz de eternizar seu fogão à lenha.
20 de junho de 2012
Os Dias Frios e o Fogão à Lenha
Com a chegada desse tempo frio, chegam também às lembranças carregadas de saudades. Em geral poucos gostam do frio, eu prefiro gostar o que ele me lembra, do que ele provoca em mim.O frio me faz sempre viajar com as palavras no tempo, basta fechar os olhos e ter sensação de estar vivenciando tudo novamente. Parece ser tão real que muitas vezes as lágrimas correm pelo rosto, vão abrindo caminhos e aumentado a saudade e a saudade vai guiando-as através do tempo. O frio me faz lembrar o sítio. É verdade que era tempo difícil, o frio era mais rigoroso, mais intenso e as condições de vida eram menos favoráveis. Nossa casa era simples, humilde. Bem! Permitam-me que eu descreva nossa casa. Era uma casa antiga, janelas e portas de madeira com frestas deterioradas pelo tempo que serviam para entrada e saída de brisas, ventos e também sonhos. O telhado desgastado pelos anos não tinha forro, era tecido por algumas teias de aranha que ali na nossa casa, fizeram suas casas. Naquela casa de 5 cômodos, nos dias frientos e de modo especial aos sábados o que mais gostávamos(meus irmãos e eu) era de acordarmos cedo e correr para cozinha. Lá existia todo um clima, não que em nossa cozinha existisse grandes apetrechos, pelo contrário era simples(fogão,geladeira,estante velha,uma mesa de madeira), mas ali naquele lugar tão simples havia algo que pouco se encontra hoje. Era um fogão a lenha dos antigos(a prova era as paredes escuras pela sua fumaça), grande, espaçoso com forninho e tudo(como a gente dizia lá no sitio). Quando acordávamos, papai(trabalha na pedreira) e mamãe(na cidade) já haviam saído pro trabalho(grandes pais temos, nunca mediram esforços pra nós) sob o fogão à lenha, o coração da casa, havia o bule de café, com alguns bolinhos de chuva feitos por mamãe. As brasas esquentavam nossas vidas e nossos sonhos. Subíamos no fogão na parte que se põem lenha. Ali projetávamos nosso dia. Dia de gente do sítio, dia de criança, tínhamos nossa fazenda, nossa pedreira, nossa usina, tudo em brinquedo. Mas que pela nossa dedicação eram tão reais como as roupas sujas ao fim do dia, como os roncos dos motores de caminhões, tratores, carros que imitávamos.....rss.....era tudo tão real, que os exageros de velocidade, de manobras com os brinquedos, muitas vezes era corrigido pelo meu saudoso irmão do céu com uma simples frase: "carro de verdade não faz isso"... .-. Sob aquele fogão íamos tomando nosso café, aquecendo nossos sonhos e acabando com os bolinhos de chuva. Aquele fogão era nosso depósito de sonhos, de confissões, de brigas(rs). Ah! Os nossos sonhos! Quantos deles nós realizamos, quanta saudade do fogão, da vida simples, do meu irmão Rodrigo. Por isso que nos dias mais frios nunca me esqueço do fogão à lenha, a vida simples. Das coisas mais absurdas que sonhávamos e eram depositadas no silêncio daquele fogão. O dia frio não conseguia nos vencer, ou melhor, vencer aquele velho fogão que durante mais de 8 anos sonhou conosco e ouviu nossas confissões. Hoje o fogão e um de meus irmãos não existem mais, os sonhos sim, o frio também e por conseqüência a saudade. Quero lhe dizer hoje que o frio me faz lembrar de quando os irmãos sonham juntos, se ajuntavam e ali partilhavam a vida, fazia família. As coisas mudaram hoje cada um segue sua vida, toma o seu café, faz sua refeição, tem o seu sonho pessoal. As coisas pioraram irmão tem ódio de irmão, irmão mata irmão, irmão destrói o sonho de irmão. Naquele tempo o velho fogão a lenha servia para nos unir e nos esquentar, hoje com tanta mudança percebo que há necessidade de muito mais do que um simples, velho e aposentado fogão a lenha para aquecer o frio, o coração e partilhar os sonhos que juntos se realizam mais fáceis. Porém quem teve seu fogão à lenha sabe que teve um tesouro na sua história, que nem o tempo, nem o mundo, nem as pessoas conseguem tirá-lo da nossa vida. Só quem morou no sítio é capaz de eternizar seu fogão à lenha.
21 de maio de 2012
Milagres de um olhar
Sempre penso em várias cenas relatadas nos Evangelhos e inevitavelmente lembrei-me dos encontros que pessoas de uma sociedade judaica alicerçada na lei de Moisés, eram excluídas, simplesmente pelo fato de serem: leprosos, coxos, cegos, mudos e surdos. Recordei que eles foram acolhidos por certo Galileu desconhecido por muitos, mas que estava fazendo prodígios. Seu nome variava de Galileu, Nazareno, Jesus etc. As curas e os milagres realizados por Jesus eram variados, em lugares diversos e em dia que pelos judeus eram extremamente proibidos.
Confesso-lhes que mis me intriga não são apenas as curas, milagres, palavras de ordem e autoridade proclamadas por Jesus. Existe algo que transcende a isto; falo do encontro silencioso de olhares daqueles que Jesus curava, libertava. De um lado a expressão de um olhar que denunciava o sofrimento e propunha um arrependimento. De outro lado um olhar de quem sentia compaixão e de forma singela conhecia pelo coração.
Jesus os conhecia no olhar, nas palavras. Tudo isso porque a-priori(a principio) os amava profundamente. Ao conhecer cada um pelo olhar interior, revelava a quem olhava um pouco do seu Ser Deus. E quem até então estava sendo olhado por Jesus, o olhava como um grande profeta, porque o olhar de Jesus já os tinha curado.
É verdade que a cura acontecia de forma interligada com a libertação, ou seja, ao curá-los Jesus os devolvia ao convívio da sociedade e já não precisavam mais mendigar a beira das cidades, uma vez que não eram mais mendigos e sim gente que testemunha Deus através da cura, do olhar de Jesus.
O sono já chegou é hora de colher as lágrimas de alegria que cenas como estas provocam em nosso olhar. Mais de 2 mil anos me lembrei que Jesus continua vivo em cada um de nós. Percebo que a sociedade de hoje se encontra de forma diferente, mas com modelos parecidos. Os mendigos de antes que ficavam a porta da cidade, hoje ficam dentro da cidade, continuam sem casa, sem voz, sem vez. Lembrei o quanto é necessário imitar a Cristo, talvez falte a nós a fé necessária para curas e milagres, mas a libertação não deve faltar e pode acontecer. Basta lembrarmo-nos do olhar de Cristo e olhar para estes pequeninos a nossa volta que tanto pedem um olhar de amor, um olhar de Cristo. Olhar que os ame sem preconceitos, um olhar que alivie suas dores e traga a esperança, um olhar sem pressa, um olhar que estenda a mão e abra o coração. Gestos nobres que muito dizem e revelam daqueles que amam sem condição alguma.
Mesmo que muitas vezes o mendigo esteja dentro da sua casa e o que ele deseja é tempo, atenção, carinho, amor e um olhar que há muito tempo não recebe de quem lhe diz todo dia que o ama. Há muita gente sendo olhada, mas poucas sendo amadas. Olhar como Jesus é muito mais do que o encontros de olhares; é o encontro da vida, dos corações, do recomeço.
O sono chegou e chegou a hora de sonhar e sonhar é se encorajar e acordar na certeza de que o dia seguinte é uma oportunidade a mais na vida de olhar e amar, a começar pelos mais próximos de nós, de nossa casa, de nossa rua. Olhar e descobrir coisas que só os olhares confessam, desde que seja olhado com amor.
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