30 de março de 2012

O que deveria morrer em Judas e o que nasceu em Dimas

Sempre achei injusto quando chegava perto da páscoa crianças como éramos lá no sítio, o povo se ajuntava e fazia tal boneco com roupas velhas e outros utensílios. Depois de uma determinada hora começávamos a malhar o JUDAS.
Passou o tempo e descobri quem fora Jesus e o que fizera Judas. Essa descoberta não me fez odiar Judas, mas sim a amar ainda mais Jesus.
Judas fora um homem de confiança de Jesus, era o responsável pelas doações que a pessoas faziam a Jesus e seus seguidores. O que reforça essa confiança de Jesus em Judas é que no meio dos discípulos havia alguém gabaritado Mateus(o cobrador de impostos convertido) que sabia muito bem mexer com dinheiro. No entanto Jesus quis deixar essa responsabilidade pra Judas. O poder prova muita gente.
Judas não teve a coragem de entregar um pouco mais de si como tiveram outros. Traiu entregando Jesus por algumas moedas de prata. O beijo de Judas é a controvérsia de quem se deixa levar pelo poder, de quem não sabe ser menor, servir, de quem diz amar por interesse. Triste dia para Judas, que ao cair em si e se dar conta do que fizera fechou-se no seu mundo, no seu erro e não teve a humildade de imitar Maria (mulher pecadora que lavou os pés de Jesus com lágrimas e os enxugou com os cabelos). O remorso fez com que Judas não acreditasse no perdão de Jesus. Judas mesmo se condenou por conta do medo; se isolou, preferiu a morte. Judas não morreu quando se enforcou, mas quando deixou de amar. Judas não teve coragem de mudar de vida, de recomeçar.
Jesus foi crucificado no meio de outros dois homens. Um deles insultava Jesus, não estava disposto a mudar de vida, apenas ser solto. Porém havia outro chamado Dimas que quis ali, naquele momento último, confessar seus pecados, seus erros, seus defeitos, e, ele o fez. A única chance que teve ganhou a vida eterna. Na vida é assim: às vezes temos apenas uma chance de mudança.
Acredito que na vida nos assemelhamos a Judas e a Dimas: existem pessoas que se fecham no seu mundo, no seu pecado e imaginam que tudo deve girar em torno delas e por elas. Não aceitam opiniões, não aceitam criticas, gostam de dar espetáculo, sempre culpam os outros pelos seus erros. Muitas são mal amadas, frustradas, egoístas. Gente infeliz que promove também a infelicidade dos outros, nunca estão dispostas a recomeçar.
É verdade que na vida somos convidados a ser como Dimas. Ter a coragem e a humildade de reconhecer os atos e desejar apenas amar. Por amar sempre, ver uma oportunidade de recomeçar a vida e a história. Por mais que o mundo nos condene, por mais que as pessoas nos rotulem e até mesmo nos crucifiquem, sabemos que o amor que existe e jorra dentro de nós é maior.
Neste convite a uma vida nova que a páscoa nos trouxe, reflita sua vida, talvez dentro de cada um de nós exista um Judas que precisa morrer para os erros, incoerências, egoísmos, individualismo. Entretanto tenha certeza de que também existe um Dimas pronto para renascer, porque aceitou seus erros e deixou a mudança invadir sua vida e, por conseguinte, deve a coragem que Judas não teve. A páscoa é passagem. A proposta da passagem de Judas para Dimas está lançada. Depende de cada um de nós.