17 de outubro de 2012

Lagrimas e Saudades


Existem motivos na vida que por mais que o tempo, pessoas, fatos queiram não conseguimos esquecer. Quando tentamos esquecer a saudade faz questão de nos lembrar. A saudade é ausência de alguém ou algo. Sentimos saudades do existente e dos já existiram. Sentimos saudade de alguém que partiu e poderá voltar, mas também quando sofremos quando sabemos que não há volta, apenas saudades.
Quando se aproxima o mês de outubro o sentimento de saudade a noção de espaço e tempo me norteia transformando tudo num enorme vazio reinante na minha vida.
As lágrimas não cabem nos olhos quando ouço  uma moda de viola, fecho os olhos e me vejo há alguns anos atrás. E por mais que forte é impossível guerrear contra a saudade e as lágrimas.
Falo da minha vida, de alguém que é minha vida, você meu irmão. Eu não lhe vejo, não ouço, mas lhe sinto e que você eternizou em mim, são vozes, cenas que não me canso de ouvir e rever.
Por mais que os anos passam, a saudade nunca passará. Sua ausência é sempre a necessidade da sua presença. Já tentei das variadas formas te tirar de mim, não porque eu não te ame, mas para evitar o sofrimento, mas não há jeito, não há força. Já tentei me anular, fugir de mim, desfazer das lembranças. Tudo em vão. Você continua fazendo falta na minha vida, num pedaço de mim que jamais será substituído.
Já tentei irmão, brigar com a morte, já estudei, tentei comprender e endender. Tudo em vão, as perguntas só aumentaram e as respostas diminuíram e conclusão veio numa palavra: “aceite”. Lido tanto com essa dialética da Vida e da Morte e não sou capaz de me satisfazer com o conhecimento delas. Talvez porque você esteja tão real em minha vida que não sou capaz de aceitar sua partida para realidade alguma.
Sei que nunca mais você voltará, não que eu tenha me cansado de te esperar, JAMAIS. Apenas entendi que a distância entre nós é muito grande para se voltar.
 Minha fé é concreta, não acredito na morte, meu Deus é vida. Porém o sentimento não me define primeiro como cristão católico, como Filósofo ou Teólogo. Antes sou seu irmão mais velho chorão.
Talvez você tenha alguém que você tanto ama e partiu (irmão, irmã, primo, prima, pai, mãe, namorado, namorada). A revolta, o desejo de vegetar, a sensação de que a vida acabou é conseqüência da não aceitação da morte, seja ela natural ou acidental. O fato é que ela existe para todos nós. O que podemos fazer? Nós que aqui ficamos e deixar partir o que já não pertence mais a esta realidade. Pois as lembranças de alguém que já se foi se torna mais saudável e intensifica sua presença a partir do momento que aceitamos sua ausência.
Meu eterno Irmão, você partiu há 11 anos. Tenho saudades e lágrimas e não te esqueço um só segundo, tenho comigo todos os momentos que passamos juntos. Porém sei que não é mais possível causar sua volta. Mas acredito que um dia estaremos juntos, não importa a condição, se seremos crianças, meninos ou homens.
Enquanto este dia incerto não chega, vou vivendo na certeza que meus dias estão se esgotando e nossa distância diminuindo. Por aqui vou cumprindo meus dias, seguindo minha sina, meu destino sem saber onde me levará. Tenho certeza de que estou no seu caminho na sua rota, mais dias, menos dias a saudades, as lagrimas não existirão mais e quando isto acontecer será a certeza de que nos encontramos novamente,  para nunca mais nos separar. 

21 de setembro de 2012

As Derrotas e os Caminhos do Recomeço

Acredito que todos já passamos por momentos na vida que sentimos assim: totalmente derrotados. Qualquer que seja o motivo, uma tarefa que não realizamos algo que perdemos para alguém, enfim são tantas as situações que a gente se sente derrotado, de ter fracassado naquilo que almejamos.
Sempre olhei para as derrotas e para os fracassos com um olhar negativo. Já me senti mal, estranho, confuso, até pensando que nada dava certo na minha vida, na minha história, já pensei; como podem acontecer tantos revezes na vida de alguém. Já tive na vida muitas derrotas e já as lamentei muito. Nunca tive maiores problemas psicológicos, mas conheço pessoas que são eternamente derrotadas na vida porque desenvolveram dentro de si um bloqueio com relação às tentativas. No entanto a derrota sempre foi algo que eu me envergonhava muito e chorava demais.
Até que uma vez sábio amigo que já mora no céu, me fez enxergar o avesso da derrota. O avesso da derrota é exatamente o momento que a gente nunca se lembra, mas é a grande virtude que existe dentro de nós. Foi isto que aquele senhor me ensinara naquela noite tão fria e tão desanimada que eu passava na vida, que a derrota não era conseqüência do fracasso, mais sim de quem tinha lutado e se exposto. Ele me fez olhar o avesso de uma situação que nunca havia parado pra dar valor. Nunca havia pensado que o avesso de algo era tão bonito, que olhar o avesso da derrota despertava dentro de nós  o recomeço. Isso me fez pensar e encarar a vida e meus objetivos de outra forma. Desde então sempre lutei por aquilo que julgava certo, mesmo quando não conseguia realizar, depois da derrota eu me sentava e dava boas risadas e via o quanto eu havia me dedicado e batalhado por algo. Cresci muito com isso. As derrotas que sempre me fizeram muito mal foram as que mais me ensinaram a crescer. E a conseguir as futuras vitórias que viram sempre. 
Não devemos desenvolver a derrota dentro de nós sem antes ter tentado, batalhado. Se hoje não deu certo, não desista. Não estacione nas derrotas da vida e isso faz com que as conquistas e as vitórias estejam sempre distantes.
Pode ser que sua vida hoje esteja assim, derrotas, tudo o que você faz não prospera, se acostumou com as derrotas e nem tem mais vontade e iniciativa para lutar. Pare um momento na sua vida e admire as derrotas, tente ver o avesso delas, só assim você perceberá que o bonito que existe nelas isto devolvera você a você mesmo.
Fui mais feliz na minha vida quando deixei de eternizar as derrotas e passei a acreditar na coragem do recomeço.

24 de agosto de 2012

Das pequenas coisas, grandes lembranças


Com o passar do tempo, com a nossa correria do dia a dia, vamos criando dentro de nós um sistema de esquecimento, devido às inúmeras informações e atividades que temos.
 Acredito muito e admiro quando o poeta no seu momento de exaltação contempla coisas que julgamos comuns, mas é justamente delas que ele tira seus poemas e suas conclusões que muitas vezes aplicamos e transformam a nossa vida.
 Quero dizer que se torna comum não percebemos coisas que antes tinham tanta importância pra nós. Existem pessoas que passam dias, meses, anos, tentando conseguir, conquistar algo. Quando os tem, em curto tempo perde aquele encanto, aquela motivação que tanto o impulsionou na busca do ideal.  Partem em busca de novos sonhos e conquistas. Não que eu seja contrário a busca de sonhos. Mas fico imaginando que já não conseguimos mais nos apaixonar pelas coisas e fatos importantes da nossa vida. Mas o Comum, não está nas coisas e nos fatos, mas está na maneira que nós os vemos. Por isso a simplicidade das pequenas coisas transforma a existência, porque elas estão intrinsecamente na nossa essência.
Mas o que intriga é justamente o fato de que muitas pessoas não querem mais se prender a ninguém, não desejam perceber e viver as coisas simples, os fatos corriqueiros, as graças e os risos do dia a dia. Quantas vezes sacrificamos nos pequenos gestos as atenções de Pais para Filhos e nós Filhos para os Pais. A criança aprimora seu laço intimo com os Pais, quando percebe a presença constante do Pai e da Mãe ao seu lado. Coisas simples; um riso, uma careta, um carinho, um barulho, um beijo, um olhar, uma fala. É a simplicidade do Amor.
Entendo que viemos numa época em mudança e numa mudança de época, mas às vezes na minha solidão e nos meus pensamentos bate saudade do que um dia o mundo já foi. Tenho saudade do sítio, quando no cair da tarde nos reuníamos para partilhar as pequenas coisas da vida. Valorizávamos todas as coisas ao nosso redor, nossos pés de manga, de tamarindo, nossa mina d’água, nossas criações de aves e outros bichos. Nosso lar sem grandes estilos, mas de muito aconchego.
Hoje, são poucas as pequenas coisas em nossa vida. Nosso cachorro já não é mais o mesmo, antes ele vigiava, hoje ele também serve de desfile com seus aparatos, roupas, etc. Às vezes damos mais valor ao animal (que deve ter sim atenção) do que as pessoas  com suas  pequenas coisas e fatos.
O meu povo, é tão ruim quando não temos mais as pequenas coisas em nossa vida.  Sem elas vamos perdendo nossa essência. Nas pequenas coisas é que se revelam os maiores atos de amor de humanidade. Elas transformam vidas. Elas devolvem vidas. Nas miudezas da vida que vamos percebendo as nossas maiores carências e na sua simplicidade o quanto as pessoas significam em nossa vida.
Quando olho pro meu passado, percebo que nas grandes lembranças estão eternizadas as pequenas coisas.

1 de agosto de 2012

Gente olhando Gente

Como é curioso entrar numa estação seja de trem, metrô, ônibus e ali fazer a experiência de olhares. Estive por algumas vezes dentro da pequena estação de ônibus circular de minha pequena cidade, que aqui nós a chamamos de terminal de integração. Por alguns minutos pude contemplar gestos, rostos, olhares. Como nos deixamos envolver por aquilo que alguém ainda que desconhecido esteja nos permitindo conhecer. Olho e flagro alguém olhando no relógio revelando preocupação, talvez atraso. Continuo olhando descubro olhares felizes, de alguém que simplesmente ali como eu não, não tinha nenhuma obrigação com aquele dia senão a de viver, apenas viver. Olho para a outra extremidade da estação e eis ali um homem, como era de manhã, talvez tenha passado a noite toda no trabalho, ou talvez ela fosse começar, seja como for, ele bocejava muito, o que me fez bocejar também. Fecho os olhos e viajo num dos ônibus que havia acabado de partir, sem preocupação de saber sua rota. Dentro dele sonhos, decepções, preocupações. Gente que dorme gente que se fala gente que se desconfia, gente que se olha, mas não se deixa conhecer, gente que olha pra fora do ônibus tentando buscar lá não sei o que, mas continua buscando. Gente que desce no seu ponto e que não sei seu destino. Desço junto para tentar descobrir algo, mas não consigo. Resolvo voltar à estação. Na volta um casal de jovens trocam carinhos e carícias. Não sei aonde se conheceram talvez naquela estação de correria, de olhares perdidos, ou talvez, na busca dos olhares fora do ônibus alguém encontrou alguém. De volta à estação continuo minha busca. Olho pra gente que me olha, entre um olhar e outro, alguns acabam se fixando mais em mim. Outros me ignoram, outros me procuram. Não me deixo vencer por eles, prefiro olhar, mas não controlo o que me olha, não controlo o que pensam a meu respeito, mas tenho o poder de pôr limites. Fico imaginando quantas pessoas já se conheceram naquela estação. Quantas já se amaram quantas já se odiaram, quantas que ali passaram e hoje não passam mais. Quantas histórias iniciadas, cruzadas, terminadas. Na agitação entre pessoas, poucos se deixam perceber, poucos se olham e se reconhecem como irmãos. Continuo com os meus olhares, mesmo quando esbarrado por um homem que se vira e pede desculpas, com um riso digo que não foi nada. Ele não desiste se volta para mim e me pergunta se tal ônibus já havia passado. Senti-me inútil. E me vi agora na necessidade de me desculpar, pois havia me entretido com os olhares que não olhei para os ônibus e não podia ajudar aquele homem que revelava uma pressa sem igual. Engraçado. No meio de tanta gente ele fora perguntar justamente para mim que não podia lhe ajudar. Mas rapidamente a senhora que estava ao meu lado e que ouvira a pergunta pode lhe dar a resposta. Foi então que percebi que naquele terminal alguns se olham, outros apenas ficam observando as chegadas e partidas dos ônibus.
Na vida não é diferente enquanto alguns vivem e se amam outros apenas observam as chegadas e as partidas dos dias como se mais nada lhes restassem a não ser deixar os dias passem por eles, mas outros que amam a vida esgotam tudo aquilo que os dias lhes oferecem em busca do amor mesmo que seja através de simples olhares.

20 de junho de 2012

Os Dias Frios e o Fogão à Lenha


Com a chegada desse tempo frio, chegam também às lembranças carregadas de saudades. Em geral poucos gostam do frio, eu prefiro gostar o que ele me lembra, do que ele provoca em mim.O frio me faz sempre viajar com as palavras no tempo, basta fechar os olhos e ter sensação de estar vivenciando tudo novamente. Parece ser tão real que muitas vezes as lágrimas correm pelo rosto, vão abrindo caminhos e aumentado a saudade e a saudade vai guiando-as através do tempo. O frio me faz lembrar o sítio. É verdade que era tempo difícil, o frio era mais rigoroso, mais intenso e as condições de vida eram menos favoráveis. Nossa casa era simples, humilde. Bem! Permitam-me que eu descreva nossa casa. Era uma casa antiga, janelas e portas de madeira com frestas deterioradas pelo tempo que serviam para entrada e saída de brisas, ventos e também sonhos. O telhado desgastado pelos anos não tinha forro, era tecido por algumas teias de aranha que ali na nossa casa, fizeram suas casas. Naquela casa de 5 cômodos, nos dias frientos e de modo especial aos sábados o que mais gostávamos(meus irmãos e eu) era de acordarmos cedo e correr para cozinha. Lá existia todo um clima, não que em nossa cozinha existisse grandes apetrechos, pelo contrário era simples(fogão,geladeira,estante velha,uma mesa de madeira), mas ali naquele lugar tão simples havia algo que pouco se encontra hoje. Era um fogão a lenha dos antigos(a prova era as paredes escuras pela sua fumaça), grande, espaçoso com forninho e tudo(como a gente dizia lá no sitio). Quando acordávamos, papai(trabalha na pedreira) e mamãe(na cidade) já haviam saído pro trabalho(grandes pais temos, nunca mediram esforços pra nós) sob o fogão à lenha, o coração da casa, havia o bule de café, com alguns bolinhos de chuva feitos por mamãe. As brasas esquentavam nossas vidas e nossos sonhos. Subíamos no fogão na parte que se põem lenha. Ali projetávamos nosso dia. Dia de gente do sítio, dia de criança, tínhamos nossa fazenda, nossa pedreira, nossa usina, tudo em brinquedo. Mas que pela nossa dedicação eram tão reais como as roupas sujas ao fim do dia, como os roncos dos motores de caminhões, tratores, carros que imitávamos.....rss.....era tudo tão real, que os exageros de velocidade, de manobras com os brinquedos, muitas vezes era corrigido pelo meu saudoso irmão do céu com uma simples frase: "carro de verdade não faz isso"... .-. Sob aquele fogão íamos tomando nosso café, aquecendo nossos sonhos e acabando com os bolinhos de chuva. Aquele fogão era nosso depósito de sonhos, de confissões, de brigas(rs). Ah! Os nossos sonhos! Quantos deles nós realizamos, quanta saudade do fogão, da vida simples, do meu irmão Rodrigo. Por isso que nos dias mais frios nunca me esqueço do fogão à lenha, a vida simples. Das coisas mais absurdas que sonhávamos e eram depositadas no silêncio daquele fogão. O dia frio não conseguia nos vencer, ou melhor, vencer aquele velho fogão que durante mais de 8 anos sonhou conosco e ouviu nossas confissões. Hoje o fogão e um de meus irmãos não existem mais, os sonhos sim, o frio também e por conseqüência a saudade. Quero lhe dizer hoje que o frio me faz lembrar de quando os irmãos sonham juntos, se ajuntavam e ali partilhavam a vida, fazia família. As coisas mudaram hoje cada um segue sua vida, toma o seu café, faz sua refeição, tem o seu sonho pessoal. As coisas pioraram irmão tem ódio de irmão, irmão mata irmão, irmão destrói o sonho de irmão. Naquele tempo o velho fogão a lenha servia para nos unir e nos esquentar, hoje com tanta mudança percebo que há necessidade de muito mais do que um simples, velho e aposentado fogão a lenha para aquecer o frio, o coração e partilhar os sonhos que juntos se realizam mais fáceis. Porém quem teve seu fogão à lenha sabe que teve um tesouro na sua história, que nem o tempo, nem o mundo, nem as pessoas conseguem tirá-lo da nossa vida. Só quem morou no sítio é capaz de eternizar seu fogão à lenha.

21 de maio de 2012

Milagres de um olhar

Sempre penso em várias cenas relatadas nos Evangelhos e inevitavelmente lembrei-me dos encontros que pessoas de uma sociedade judaica alicerçada na lei de Moisés, eram excluídas, simplesmente pelo fato de serem: leprosos, coxos, cegos, mudos e surdos. Recordei que eles foram acolhidos por certo Galileu desconhecido por muitos, mas que estava fazendo prodígios. Seu nome variava de Galileu, Nazareno, Jesus etc. As curas e os milagres realizados por Jesus eram variados, em lugares diversos e em dia que pelos judeus eram extremamente proibidos.
Confesso-lhes que mis me intriga não são apenas as curas, milagres, palavras de ordem e autoridade proclamadas por Jesus. Existe algo que transcende a isto; falo do encontro silencioso de olhares daqueles que Jesus curava, libertava. De um lado a expressão de um olhar que denunciava o sofrimento e propunha um arrependimento. De outro lado um olhar de quem sentia compaixão e de forma singela conhecia pelo coração.
Jesus os conhecia no olhar, nas palavras. Tudo isso porque a-priori(a principio) os amava profundamente. Ao conhecer cada um pelo olhar interior, revelava a quem olhava um pouco do seu Ser Deus. E quem até então estava sendo olhado por Jesus, o olhava como um grande profeta, porque o olhar de Jesus já os tinha curado.
É verdade que a cura acontecia de forma interligada com a libertação, ou seja, ao curá-los Jesus os devolvia ao convívio da sociedade e já não precisavam mais mendigar a beira das cidades, uma vez que não eram mais mendigos e sim gente que testemunha Deus através da cura, do olhar de Jesus.
O sono já chegou é hora de colher as lágrimas de alegria que cenas como estas provocam em nosso olhar. Mais de 2 mil anos me lembrei que Jesus continua vivo em cada um de nós. Percebo que a sociedade de hoje se encontra de forma diferente, mas com modelos parecidos. Os mendigos de antes que ficavam a porta da cidade, hoje ficam dentro da cidade, continuam sem casa, sem voz, sem vez. Lembrei o quanto é necessário imitar a Cristo, talvez falte a nós a fé necessária para curas e milagres, mas a libertação não deve faltar e pode acontecer. Basta lembrarmo-nos do olhar de Cristo e olhar para estes pequeninos a nossa volta que tanto pedem um olhar de amor, um olhar de Cristo. Olhar que os ame sem preconceitos, um olhar que alivie suas dores e traga a esperança, um olhar sem pressa, um olhar que estenda a mão e abra o coração. Gestos nobres que muito dizem e revelam daqueles que amam sem condição alguma.
Mesmo que muitas vezes o mendigo esteja dentro da sua casa e o que ele deseja é tempo, atenção, carinho, amor e um olhar que há muito tempo não recebe de quem lhe diz todo dia que o ama. Há muita gente sendo olhada, mas poucas sendo amadas. Olhar como Jesus é muito mais do que o encontros de olhares; é o encontro da vida, dos corações, do recomeço.
O sono chegou e chegou a hora de sonhar e sonhar é se encorajar e acordar na certeza de que o dia seguinte é uma oportunidade a mais na vida de olhar e amar, a começar pelos mais próximos de nós, de nossa casa, de nossa rua. Olhar e descobrir coisas que só os olhares confessam, desde que seja olhado com amor.

13 de maio de 2012

No seu ventre; a divina vida

Hoje peço sua permissão para partilhar minha vida, minha história. Permita-me entrar na sua vida e assim nossas histórias se encontrarem e quem sabe até se coincidirem. Esta noite revendo fotos e ouvindo algumas músicas, na companhia de um frio que tocou no fundo de minha alma, foi inevitável, voltei a ser criança.
Lembrei de uma criança, de um tempo. Pelo que se fala, era a mais franzina de uma família de 9 irmãos. Já moça nunca saíra do aconchego e da rudez de seus pais. Moça menina se aventurou na vida e numa noite acordara mulher. A vida no sítio era difícil, exigente, como já lhes falei. Menina, moça, mulher e mãe. O tempo parece ter se ido veloz e chegou à família. Em 5 anos já éramos 3 irmãos. Enquanto papai passava o dia todo na labuta da roça, mamãe cuidava da casa com poucos recursos, de utensílios simples, pouca experiência na vida que lhe fizera tão responsável. Nesta noite aqui em meu quarto, onde tudo parece grande, passageiro, onde senti uma vontade enorme do carinho de mãe, daquela cama que nos abrigávamos como seu santo ventre que nos abrigou por primeiro.
Mãe é assim, se faz forte em nossa fraqueza, se faz valente em nossa covardia, sofre com nossas mais simples dores, nos carrega no colo quando criança sem cobrar nada. Continua nos carregando no colo por conta de nossas estripulias quando nos ferimos. Mãe que troca suas noites de descanso e sono pelos nossos mais banais medos e pelas nossas mais egocêntricas ausências.
Mãe debruçada numa bica d’água ou num taque de pedra misturando a pureza da água com o duro suor de seu rosto para lavar as nossas sujas de diversão. Mãe de mãos queimadas e atrofiadas pelo peso de um ferro a brasa. Mãos atrofiadas, mas que nunca perdem a medida e o sabor de uma comida e de um café feito logo pela madrugada num fogão a lenha. Mãos atrofiadas, mas que são alento e remédio para qualquer receita. Mãos atrofiadas que conhecemos quanto elas tampam nossos olhos e nós dizemos: É Minha Mãe. Mãos atrofiadas que um dia foram as primeiras as nos segurar e misturar seu choro com o nosso. Mãos atrofiadas que não negam bênçãos, que beijamos como forma de agradecimento. Mãe que consola nosso choro  e enxuga nossas lágrimas, para depois chorar no seu canto, na sua solidão sem que exista alguém para acolher suas lágrimas.
O tempo passou e hoje seu rosto, suas mãos, seu porte se modificou. Entendo que eu sou também um grande responsável por esta mudança, ao precisar durante tantos anos de Ti mulher. Nas muitas vezes gostar apenas da sua utilidade, das vezes que apenas precisei de ti, das vezes que para mim foi apenas uma servidora. Mulher ao olhar para esta imagem tão preciosa na minha vida, imagino os tantos  não têm mais essa presença viva em seu meio. Digo das Mães que cumpriram sua missão entre nós. Viver sem mãe é viver sem a metade de nosso eu. É ficar sem referência, é sentir saudades na ausência de quem esteve presente em todos os instantes. E neste dia dedicado as mães acender sua vela, para que a claridade de mãe resplandeça lá do céu e oriente suas vidas.
Hoje mulher nesta noite de inversão de idades e de utilidades, onde voltei a ser criança, mas sem tua presença. É  justamente no homem que sou hoje, que reconheço que ao não querer precisar mais de Ti, vejo em Ti não mais a mulher, mais a Mãe, que tantas vezes meu egoísmo roubou de mim, cegando meus olhos para mãe e revelando apenas uma mulher que estava sempre ao meu serviço.
 Nesta noite que escrevo, nesta solidão e carência de mãe, de um homem que por minutos vi a vida lhe fazer criança novamente. Nesta noite mãe que percebo quantas noites passeio ao seu lado, mas a vendo apenas como mulher, é inevitável conter as lágrimas e chorar. Porém a grande diferença é que hoje não tenho aqui e agora a mãe para enxugar minhas lágrimas e consolar meu choro.
Minha mãe, como és preciosa em nossa vida. Obrigado minha mãe.

20 de abril de 2012

Partidas e Chegadas

Na dinâmica da vida sempre aceitei partir. As partidas trouxeram novas chegadas, das lágrimas das partidas renasceram novos risos de desafios. A partida é um movimento doído, mas gratificante, diria de despojamento. Quem parte se abre para o novo e se desfaz do comodismo. Quem fica não aprisiona somente para si, quem não pode ser de ninguém e muito menos de um só. A partida ensina novos caminhos e abre a mente dos que ficam e partem para novos horizontes, novas experiências. Assim aprendi que tão certo como partidas serão as chegadas. Com elas fiz questão de dizer ATÉ LOGO, e dizer ADEUS para algumas situações que tentaram bloquear minhas partidas fazendo não chegar a lugar nenhum.
Como é bom sentir-se livre para ir embora, voar, sonhar, chorar e rir. Como é bom olhar para trás e sentir apenas saudades e jamais remorso, vontade de se plantar ali e nunca mais querer sair. Como é bom olhar para trás e balançar os braços e as mãos e jamais senti-las presas a alguém. Como é bom quando chega à hora da partida e como é gratificante quando se aproxima à hora da chegada.   
Uma vez mais chegou à hora de dizer até logo para muitas pessoas que estiveram tão perto de mim durante estes meses. Agradecer pela vida de todos e todas que se uniram a mim e juntos caminhamos lutando e sonhando por um mundo mais justo, mais humano, mais divino.
Uma eterna gratidão a todos da Paróquia Divino Espírito Santo, em Itapolis, as Comunidade Rurais em que tive a oportunidade de estar e eternizar e também aquelas que não tive. As Comunidades do Senhor Bom Jesus em Tapinas e Nossa Senhora Aparecia em Nova América. A todas as pessoas que abriram suas casas, lagoas de águas cristalinas e seus corações. Aquelas famílias em que tive a oportunidade de estar, comer, rir e partilhar. Ao querido e amado Cônego Ednyr, que tive a grata alegria de desfrutar de toda a sua humana divindade que se externa em sua simplicidade e humildade, no seu carinho e amor pelo povo de Deus. Quanta Sabedoria. Enfim, todos que colaboraram com minha formação de vida, me ajudaram nos projetos, Deus lhes retribua com graças e bênçãos. É verdade que nossa amizade ajudou a nos conhecer como pessoas que buscam um mesmo ideal. Por isso nos sentimos tão próximos e juntos para nos reconhecermos como irmãos. Deus ilumine e guie o caminhar e de cada um de vocês.
Nas partidas nos tornarmos mais sensíveis ao valor do outro, que talvez ficou escondido em nossos preconceitos. No entanto são as partidas que nos ensinam que fizemos a troca sem troco. Levaram um pouco de nós e deixaram um pouco de si. Durante estes meses celebramos como se fosse a primeira, a última, a única. Recordaremos sempre uma “... Velha Avenida e que deixará sempre rastros de infância que já virou saudades ...”. E  eternizamos quem se eternizou em nós e certamente redescobrimos pessoas que tem o dom de encurtar a distância do Céu e da Terra. O Cristo no outro nos lembra que somos todos caminheiros que não somos de ninguém, mas sim de Cristo e Cristo é de Deus. Não desanimem nunca... Coragem minha Gente!


8 de abril de 2012

Ressuscitar é Preciso

O testemunho, os sinos, as cores, as horas, as vestes, a luz, o dia, a noite, o riso e os cantos declaram: RESSUSCITOU, É VIDA NOVA
A RESSURREIÇÃO para alguns é um acreditar, pra outros é um duvidar e ainda pra outros é uma aposta. Mas deixemos de lado a RESSURREIÇÃO como um dado de fé e mergulhemos na RESSURREIÇÃO como um dado humano. Porque se olharmos assim para ela, veremos o quanto ela é fundamental na vida e o quanto ela poderá transformar nossa vida e nós a vida de muitos.
Não há nada mais gratificante do que celebrarmos a nossa ressurreição. Não há nada mais humano do que a exemplo do ressuscitado, ressuscitarmos pessoas que se entregaram a derrota e morreram para o seu dia-a-dia. Como é magnífico olhar para um nazareno de alguns milênios e perceber sua atitude de modificar a vidas das pessoas. De aproximar-se dos coxos, dos cegos, dos surdos-mudos, dos aleijados, dos infelizes, dos pecadores. E ao falar-lhes, tocar-lhes, sentar-se com eles, promover a dignidade, restituindo-lhes a vida. Isto é ressurreição minha gente. É quando as situações e as pessoas nos declaram mortos, quando nos impõem a derrota, mas nós conseguimos através de nós mesmos e de amigos renascermos. Por isto é preciso ressuscitar para que sejamos protagonistas da vida e assim as derrotas e as “situações que nos matam” nos sirvam de exemplo, de coragem e de recomeço. Que a ressurreição seja todos os dias. Que tenhamos a atitude e prontidão de dar vida nova há tantas pessoas que precisam do nosso riso, do nosso toque, da nossa fala, das nossas mãos, do nosso amor. Só quem ama sabe e tem coragem ressuscitar. Ame, ressuscite, se deixe ressuscitar, dê uma chance a você mesmo e as pessoas para que possam viver.

30 de março de 2012

O que deveria morrer em Judas e o que nasceu em Dimas

Sempre achei injusto quando chegava perto da páscoa crianças como éramos lá no sítio, o povo se ajuntava e fazia tal boneco com roupas velhas e outros utensílios. Depois de uma determinada hora começávamos a malhar o JUDAS.
Passou o tempo e descobri quem fora Jesus e o que fizera Judas. Essa descoberta não me fez odiar Judas, mas sim a amar ainda mais Jesus.
Judas fora um homem de confiança de Jesus, era o responsável pelas doações que a pessoas faziam a Jesus e seus seguidores. O que reforça essa confiança de Jesus em Judas é que no meio dos discípulos havia alguém gabaritado Mateus(o cobrador de impostos convertido) que sabia muito bem mexer com dinheiro. No entanto Jesus quis deixar essa responsabilidade pra Judas. O poder prova muita gente.
Judas não teve a coragem de entregar um pouco mais de si como tiveram outros. Traiu entregando Jesus por algumas moedas de prata. O beijo de Judas é a controvérsia de quem se deixa levar pelo poder, de quem não sabe ser menor, servir, de quem diz amar por interesse. Triste dia para Judas, que ao cair em si e se dar conta do que fizera fechou-se no seu mundo, no seu erro e não teve a humildade de imitar Maria (mulher pecadora que lavou os pés de Jesus com lágrimas e os enxugou com os cabelos). O remorso fez com que Judas não acreditasse no perdão de Jesus. Judas mesmo se condenou por conta do medo; se isolou, preferiu a morte. Judas não morreu quando se enforcou, mas quando deixou de amar. Judas não teve coragem de mudar de vida, de recomeçar.
Jesus foi crucificado no meio de outros dois homens. Um deles insultava Jesus, não estava disposto a mudar de vida, apenas ser solto. Porém havia outro chamado Dimas que quis ali, naquele momento último, confessar seus pecados, seus erros, seus defeitos, e, ele o fez. A única chance que teve ganhou a vida eterna. Na vida é assim: às vezes temos apenas uma chance de mudança.
Acredito que na vida nos assemelhamos a Judas e a Dimas: existem pessoas que se fecham no seu mundo, no seu pecado e imaginam que tudo deve girar em torno delas e por elas. Não aceitam opiniões, não aceitam criticas, gostam de dar espetáculo, sempre culpam os outros pelos seus erros. Muitas são mal amadas, frustradas, egoístas. Gente infeliz que promove também a infelicidade dos outros, nunca estão dispostas a recomeçar.
É verdade que na vida somos convidados a ser como Dimas. Ter a coragem e a humildade de reconhecer os atos e desejar apenas amar. Por amar sempre, ver uma oportunidade de recomeçar a vida e a história. Por mais que o mundo nos condene, por mais que as pessoas nos rotulem e até mesmo nos crucifiquem, sabemos que o amor que existe e jorra dentro de nós é maior.
Neste convite a uma vida nova que a páscoa nos trouxe, reflita sua vida, talvez dentro de cada um de nós exista um Judas que precisa morrer para os erros, incoerências, egoísmos, individualismo. Entretanto tenha certeza de que também existe um Dimas pronto para renascer, porque aceitou seus erros e deixou a mudança invadir sua vida e, por conseguinte, deve a coragem que Judas não teve. A páscoa é passagem. A proposta da passagem de Judas para Dimas está lançada. Depende de cada um de nós. 

14 de março de 2012

Escuridão passageira

Esta noite acordei repentinamente, me vi perdido no tempo e no espaço de um pequeno quarto. Não fazia idéia de que horas já marcavam. Tive medo de perder hora para me levantar. Não me lembro exatamente o que sonhava e se sonhava. Procurei rapidamente o aparelho celular tentando recorrer a sua funcionalidade para saber que horas marcava. Como vivemos presos ao tempo, à hora. Depois de cegamente percorrer minha mão pelo meu criado mudo o encontrei, mas triste noticia ele estava descarregado. Tive medo de me levantar e não achar o chão. Pensei então em apalpar o interruptor que fica próximo a cabeceira da cama. Depois de alguns segundos consegui encontrá-lo e clicá-lo, mas triste noticia não havia sinal de luz. Pensei que a energia estava com problema ou então, que a lâmpada já havia cumprido sua sina. O medo aumentou. Resolvi continuar em minha cama, tentei buscar o sono novamente, mesmo sem sonhos, mas foi em vão. A escuridão de um pequeno quarto, mais parecia um abismo de trevas e de um temor desconhecido. Que falta faz luz, mesmo que seja num quarto pequeno de uns 3 metros por 2 metros. Tomei coragem e me levantei acabei deparando com alguns objetos que por conta do escuro havia até me esquecido que estavam ali. Abri desesperadamente a janela do quarto que fica no segundo andar e se enxerga a rua. A rua deserta, mas com luz mostrava que o problema era na lâmpada do meu quarto. Consegui com custo por o aparelho celular para carregar, verifiquei a hora e ainda tinha muita escuridão pela frente, mas tinha certeza de que o amanhecer traria sua luz própria.    
Lembrei-me de quantas pessoas vivem presas, deitadas em seu quarto escuro. Algumas não têm coragem de levantar, se acomodaram na sua escuridão de mentiras. Existem aquelas que vão à janela alta e se jogam, preferiram interromper sua vida a sair pela porta dando assim uma oportunidade de luz a si mesma. A escuridão tem do dom de nos inibir, nos castrar, nos destruir, nos aprisionar, nos escravizar e nos condiciona ao escuro, ao erro, a mentira. Pessoas mesquinhas, hipócritas que querem nos trancar em quartos escuros, elas vivem na escuridão da mentira e querem levar outros para o mesmo fim. A escuridão na vida todos nós passamos, todos nós estamos sujeitos, mas é preciso não se acostumar com ela, não alimentá-la. A escuridão é como um sonho, muitas vezes nos satisfaz, nos faz ser o que não somos. É preciso sempre acordar para que a vida continue, seja vivida, labutada, para que não sejamos apenas de um sonho mal sonhado, mas de vários sonhos realizados. É preciso ter a coragem de se mexer, de levantar do leito escuro, mesmo que este movimento nos cause trombadas, quebre algo, mesmo que esbarre em limites, em cabeçadas, sempre vale a pena levantar da escuridão.
Se hoje você se encontra no leito escuro da vida, na escuridão de um quarto sombrio, nebuloso, de mentiras, de vícios. Levante-se, não se jogue pela janela porque talvez ela seja a luz mais fácil para uma saída. Não se importe em trombar, dar cabeçadas, mas procure a porta e acenda a luz da sua vida, a luz da esperança, do recomeço. Não se esqueça; escuridão foi feita pra ser passageira e não eterna. Mas vida foi feita pra ser vivida embora em fases escuras e luminosas seja verdade, mas eterna. Não aprisionada para sempre num leito escuro.

8 de março de 2012

Mães do Ontem, Mulheres do Hoje

Em nossa vida existem pessoas que são imprescindíveis. Lembro perfeitamente de pessoas tanto fizeram por mim na minha infância, de modo especial Minha Mãe. Eram tempos diferentes, totalmente distintos de hoje. A precariedade das técnicas, tecnologias. Já a ciência era apenas uma esperança mesmo que distante de nosso mundo rural parecia ser apenas benéfica.
As dificuldades existiam e com elas a ausência de tantas coisas essenciais. Como vocês já sabem, éramos muito pobres. Casa simple, arquitetura antiga, luz de lamparinas. Embora tudo isso fosse motivos para desânimo ou para covardia, nunca foi assim em nossa casa. Minha mãe vinda de uma família de mais 10 irmãos, meu Pai de uma família incomum naquele tempo de apenas mais dois irmãos. Entendo que há mais de 30 anos atrás papai e mãe tinham motivos bem mais alicerçados e justificados para pensar muitas vezes em gerar vidas. Porém não existia meio termo naquela época – se houvesse eram casos isolados – mesmo com dor, sem condição, sem ciência (medicina) por perto, como nossas mulheres eram corajosas.
O tempo passou. A ciência já não é apenas benéfica como imaginávamos lá no sítio. Pelo contrário é infectada pela ideologia que por sua vez é uma faca de dois gumes. Ela se prostitui pelas conveniências e pelos interesses (sociais, financeiros). Nossas mulheres  superaram parte da submissão ganharam direitos e deveres. Sim. Tudo isso se deveu a luta, briga e reivindicação. Dia 8 de Março, passou a ser o dia dedicado a mulheres. De maneira honrosa e respeitosa. Não há como negar que a distância entre homens e mulheres diminuiu. Mesmo que ainda falte muito por fazer, a busca pela igualdade é válida e reconhecida.
Minha mãe é mulher neste novo mundo de facilidades e possibilidades. As que ela não tinha quando era mulher de outro tempo. Ela não sabe manipular muito bem o mundo virtual e nem é grande devota da nova ciência. Ser mulher do ontem ensinou mamãe e muitas mulheres serem fortes e corajosas no hoje. Diferente das mulheres da “era cientifica”, que não sabem definir a velhice e a estética, o bem e o mal, o medo e a liberdade, o aborto e a vida. Mulheres que são levadas pelo markentig, pela ciência maléfica, pela prorrogação da vida e principalmente pelo desprezo de um embrião. Que comodismo. Como nossas mulheres de outrora tinham respeito pela vida. Como elas não mediam esforços e sacrifícios para nos colocar no mundo. Hoje estamos aqui por elas. O que me entristece é saber que muitas mulheres, filhas das Mães do ontem, que hoje não dão o mínimo de valor pela vida. Que futilidade aparecer na mídia julgando capaz de fazer o que bem se entende com o próprio corpo. Que exaltação do corpo. Que desprezo pela vida.
Tudo bem podem me chamar de sarcástico, masoquista, podem me apresentar inúmeras questões e possibilidades de abordo. Minha resposta é a resposta de minha Mãe, mulher do ontem, mulher do sofrimento, mulher da ciência precária, mulher do sim, mulher da vida. Não medindo esforço para essa vida que hoje vos fala.
Mulheres do Ontem e algumas de Hoje que seguem as mulheres de Ontem e não compactuam com a interrupção da vida. Obrigado por vocês existirem e não ter colocado inúmeros empecilhos para nos gerar, hoje e sempre o dia será de vocês.

3 de março de 2012

AMOR e ODIO

Alguns anos atrás habitavam num mundo marcado por guerras, discriminação, machismo, escravidão, silêncio etc. Com o passar do tempo as coisas e as pessoas evoluíram na maneira de pensar e ser, pesquisar e rezar.
Hoje as guerras ainda existem não de cunho mundial como tivemos as duas grandes guerras. A discriminação e o Machismo são combatidos com pulso firme e grande punições, na maioria das vezes e dos lugares. A liberdade de expressão foi alcançada bem como a liberdade religiosa. As mulheres conquistaram mais respeito, lugar de destaque e voz ativa na sociedade. Tantas conquistas que nos faz sonhar com um mundo perfeito. E seria se o ÓDIO, a cada dia não roubasse o AMOR. Seria perfeito se acreditássemos e vivêssemos o que somos: imagens, semelhantes, próximos, alteridade. Ao contrário preferimos ser: sombra, diferentes, distantes, inimigos competidores. Somos da mesma espécie, da espécie humana, diferente dos animais que são de vários tipos e espécies, é comum entre eles a disputa, o ferir-se e a morte, afinal são irracionais. Mas e nós? Por que estamos tão pertos de agir e ser como eles que disputam, se ferem e se matam? Fazemos isto por falta de racionalidade? por excesso? Evoluímos tanto racionalmente que excedemos nos contaminando com o ÓDIO, COBIÇA, EGOÍSMO? Tantos questionamentos para poucos que querem pensar nisto e provocar uma mudança verdadeira, parece que este critério humano-irracional fortalece o nosso tão bonito mundo moderno.
Os fatos midiáticos que vejo cada dia me fazem lembrar animais em forma de gente vivendo numa sociedade camuflada pela estética, pelo acúmulo, pela violência fruto do ÓDIO, residente e persistente no coração humano.
Não quero parecer um mendigo pelo mundo de anos atrás. Porém quero apenas dizer que nossas atitudes de sermos gente, humanos, racionais não condizem com o que somos, vivemos. O AMOR que é o princípio de tudo e de todos está sendo justificado como fim de tudo. Mata-se por AMOR, seqüestra-se por AMOR, fere-se por AMOR, mente-se por AMOR, compete-se por AMOR, guerreia-se por AMOR, aborta-se por AMOR. AMOR uma palavra tão bonita no meio de tanta palavra feia, afinal tudo isto então é AMOR ou ÓDIO? Vejamos: Se mata por ÓDIO, seqüestra-se por ÓDIO, fere-se por ÓDIO, mente-se por ÓDIO, compete-se por ÓDIO, guerreia-se por ÓDIO, aborta-se por ÓDIO.  
Parece que hoje o ÓDIO é mais lucrativo do que AMOR. Parece que o ÓDIO progride mais do que o AMOR. Afinal hoje se mata até em nome de Deus, que é AMOR. Hoje culpamos Deus pela falta de AMOR, pelas nossas atrapalhadas e destruições, afinal sempre dizemos: “Deus quis assim”.
Parece muito mais cômodo culpar a Deus pela ausência de AMOR, do que reconhecer o ÓDIO morando em nosso coração. Parece mais fácil fazer Deus sujeito da situação, do que reconhecermos sujeitos e mudarmos. O AMOR é plantado em pequenas sementes, como palavras, gestos simples, abraços de pai, mãe, filhos, comer a mesa, partilhar o que temos e o que somos.
Meu irmão, meu outro, minha imagem, minha espécie, meu semelhante, meu amor. Se assim eu não lhe reconhecer significa que estamos longe, muito longe de construirmos um mundo futuro sem caos onde nossos filhos, possam ter a oportunidade de AMAR a partir do nosso AMOR.
Perdoe-me se pareço revoltado ou saudosista demais.
É que nosso mundo depende de nós, se não tomarmos atitude, Afinal do que adiantou cessarem as guerras, acabar com a discriminação, ganhar liberdade se nosso mundo só piorou, aumentando o ÓDIO. O que sei, é que senão nos convertemos urgentemente, ele poderá futuramente ser residido por robôs sem sentimentos, tudo por causa de gente de ÓDIO que destruiu aos poucos os poucos AMORES.

23 de fevereiro de 2012

Cinzas de uma Quaresma

As cores sempre são sugestivas, tocam nossa imaginação e atiça nossos gostos e criatividades. A liturgia se apropria das cores e na sua é dinamicidade possibilita mutações no decorrer do ano. O motivo da celebração se esconde por de detrás das cores que por sua vez e no seu tempo revela o essencial de cada ato litúrgico. Durante um tempo se celebra com a cor roxa o tempo favorável, a Quaresma, 40 dias iniciado numa Quarta que é de Cinzas. No calendário civil e uma quarta comum e o seria para nós também se ela não fosse de cinzas, e, se com as cinzas e a cor roxa usada na liturgia não nos emergisse no mistério que o tempo de parada, reflexão, oração, jejum, revisão de vida é o maior fundamento destas cinzas e do roxo que será usado durante todos os quarenta dias da quaresma.As cinzas postas em nossa fronte com o apelo um de conversão nos lembra do muito pouco que somos, de nossa inegável fragilidade humana, é dialética de um tempo no tempo do nascer, viver e morrer, inatos em nós humanos. Mas não podemos esquecer que a quaresma se celebra em função de outra particularidade, UM tempo, dentro do tempo que florirá, ou encaminhará nossos passos, vidas, corações e recomeço num outro tempo, a páscoa (passagem da morte para vida).Portanto, as cinzas e o roxo têm fim marcado, com a proposta litúrgica da ressurreição na Páscoa eles se justificam no seu significado de atos e cores. Enquanto pó de cinzas e a limpeza interior que o roxo propõe no cérebro pra vida. Não nos esqueçamos que as cinzas do hoje foram os verdes, bonitos e esperançosos ramos de um ano atrás, e nos lembremos também que os ramos verdes daqui a 40 dias serão as cinzas de um futuro incerto. Por isto as cinzas da quaresma têm a função pedagógica que lembre nos recordar que é possível o recomeço, mas que seja um recomeço de vitórias e a prevaleça a vida, que será gerada na quaresma e florirá n páscoa. Quaresma é muito mais do que um tempo no tempo é uma maneira de viver e se deixar transforma pelo convite da liturgia.
(No dia 22, quarta-feira de Cinzas passaram pela Igreja Matriz Divino Espirito Santo cerca de 1.200 pessoas nos horarios das 3 missas)

9 de fevereiro de 2012

Placas da Vida

 Hoje quero partilhar com você um pouco mais da minha vida. Quando morávamos no sítio, depois de anos e anos vivendo, correndo, conhecendo cada centímetro daquilo que chamávamos de “antiga estrada” que liga Araraquara a Guarapiranga e Ribeirão Bonito. Um dia recebemos a notícia que ela iria ser asfaltada. Por instantes sentimos alegria, pois os nossos problemas com a chuva , que deixava aquela estrada lisa que quase nenhum carro passava, seriam resolvidos.
O asfalto chegou, trazendo com ele toda a força da modernidade, aquela simples e humilde “antiga estrada”, se transformava em Rodovia. As placas foram espalhadas por todos os cantos e lugares. Na inocência e ingenuidade de criança ficávamos pensando o porquê das placas, pois nós conhecíamos a nossa antiga estrada de olhos fechados. Porém muitos motoristas não, elas tinham função de informar as várias curvas que nossa antiga estrada apresentava. O transito aumentou consideravelmente, e já são via mais bicicletas, carroças, porque a velocidade dos carros que percorriam a agora rodovia e a nossa “antiga estrada”, também se multiplicou e percebermos que a poeira que se levantava da “antiga estrada” não era tão prejudicial como o perigo que a rodovia trouxe.
Com o passar do tempo às placas foram envelhecendo, atacadas com tiros, derrubadas, entortadas por pessoas  e por motivos desconhecidos, como aquelas pessoas que já são desorientadas na vida e nunca aceitam que a gente mostre o caminho certo. Assim o percurso da nossa “antiga estrada”, hoje rodovia, notamos que muitas placas ao invés de orientar acabavam desorientando.
Pois bem, o que as placas, a “antiga estrada”, a rodovia tem haver com tudo isto? Acredito que na vida temos pessoas que são placas, estão sempre nos orientando, mostram as curvas perigosas, as decidas e subidas da vida. Quando estamos contramão, quando temos que parar. A velocidade que temos de andar na estrada da vida. Revela também quando estamos no caminho errado, mostra-nos que mais a frente existe um retorno, mesmo que tenhamos de andar alguns kilômetros no erro logo à frente encontramos o retorno, que na verdade é também uma conversão de caminho, de estrada, de vida.
No entanto aquelas pessoas/placas que tentam nos desorientar, boicotar, placas podres, mercenárias, mesquinhas e que seu fim serão o que foram sempre. Não preocupemos com elas. Antes diminuamos a velocidade da vida e dos passos para que estas pessoas/placas desleais não desoriente nossa vida e não nos tire do caminho da verdade. Assim podemos continuar nosso itinerário em antiga estrada, em rodovia, em caminhos de fé. Anunciando no horizonte da vida a beleza da verdade e da justiça e rezando pela conversão de muitas pessoas/placas.

28 de janeiro de 2012

O Fortuna de um menino

Permitam-me entrar na sua vida e na sua história e assim partilhar um pouco do meu tudo e um tudo do meu pouco. Ao ouvir o repico de uma viola, dedilhado de um violão e som místico da Sanfona automaticamente sou transportado ao passado. Aprendi deste pequeno com meu avô Davi o gosto pelas modas de viola, aliás era o que tínhamos no sítio.
Desde pequeno ouvia nomes como Tonico e Tinoco, Lourenço e Lourival, Liu e Leo, Torres e Florêncio etc...No entanto havia um nome em especial que me chamava atenção, um tal JOSÉ FORTUNA. Até então não pelo que ele compunha, mas pelo o que o seu sobrenome sugeria: FORTUNA. Que contrastava com a nossa pobreza. E eu imaginava no seu FORTUNA a FARTURA e a RIQUEZA.
O tempo passou, eu cresci e o mal de chagas consumia José Fortuna, mas não lhe tirava o brilhantismo de suas composições encarnadas na sua história.
Em 2007 quando fui designado, ainda seminarista, aos fins de semana exercer meu estágio pastoral na cidade de Itápolis, não imaginava o que lá me esperava; um reencontro com meu passado. Numa noite, numa roda de amigos lá em Itápolis que disseram José Fortuna aqui nasceu. Naquele momento, a memória recorreu ao meu passado e lembrei da FORTUNA do tal José Fortuna. A partir daquela noite fiz questão de conhecer tudo o que lá existe em homenagem a José Fortuna. De tudo o que lá existe quero falar de algo especial para mim. No início da entrada principal da cidade encontramos uma rua, conhecida como AVENIDA BOIADEIRA. A primeira vez que ali parei confesso a você que chorei. Aquela simples avenida é mística. Ela tem o dom de transcender em nós. Ela nos faz navegar no passado e nos mergulha no escrito de José Fortuna: “Velha Avenida onde deixei rastros de infância que virou saudade e hoje existe em cada esquina meu nome escrito para eternidade”.
O ano de 2007 terminou e fui embora. Levei comigo algo que já estava eternizado em mim a Fortuna de um tal José. Descobri que a Fortuna que eu criança imaginava não estava no Ter do José, mas sim no Ser do Fortuna.
Em Outubro de 2010 estive lá novamente para visitar amigos e amigas que lá fiz pra vida toda. Junto com meus irmãos de caminhada, Monge e Marceluz, paramos na Avenida Boiadeira, que no fechar dos olhos se escuta a toada do Berrante. Monge fã e grande sábio da musica sertaneja na sua simplicidade entoou a magnífica Avenida Boiadeira.
No dia 10 de novembro de 1983 José Fortuna nos deixou. Será? Ele nunca nos deixará porque se eternizou nas suas canções e suas canções se eternizaram em nós e na história.
Faz exatamente 28 anos que o maior compositor de músicas sertanejas se faz vivo apenas na história e nas suas mais de 2 mil composições.
Eu tinha razão quando criança, ao desejar ter a fortuna deste tal José. Hoje eu entendo que a Fortuna o José deixou pra todos nós; sua vida, sua história e suas composições e todos herdamos esta valiosa e mística fortuna de José Fortuna.

16 de janeiro de 2012

Pelicano Eucaristico; simbolo do Cristo e do Sacerdote

Sempre e por toda parte a refeição foi símbolo de união. Para nós, cristãos, a refeição por excelência é a Eucaristia, com caráter de sacrifício e de ação de graças, como perpetuação do único Sacrifício de Cristo para a Igreja e para a salvação do mundo.São Jerônimo, num comentário do Salmo 102, disse: “Sou como um pelicano do deserto, que fustiga o peito e alimenta com o próprio sangue os seus filhos”. Assim, o pelicano torna-se o símbolo do sacrifício e da doação de Cristo pela sua Igreja.
A principal característica do pelicano é única: uma bolsa membranosa que prende o bico, duas ou três vezes maior que seu estômago, que tem a finalidade de armazenar alimento por um determinado tempo. Assim, como a maioria das aves aquáticas, possui os dedos unidos por membranas. Eles são encontrados em todos os continentes, com exceção da Antártida; medindo até três metros, de uma asa a outra e pesando até 13 quilos.
Os machos são normalmente maiores e possuem bicos mais longos que as fêmeas e alimentam-se de peixes.
Na Europa medieval eram considerados animais especiais e zelosos que alimentavam os filhotes com o alimento que extraíam da sua própria bolsa e chegando a faltar alimento, dava-lhes o seu próprio sangue. Daí tornar-se um símbolo da Paixão de Cristo, da Eucaristia e da imolação, costumando a sofrerem de uma doença que os deixavam com marca vermelha no peito.
 Outra versão de que eles costumavam matar os filhotes e, depois, ressuscitá-los com seu sangue, o que seria análogo ao sacrifício de Jesus.
Fiel Pelicano, Senhor Jesus! Assim Santo Tomás chamava o Cristo em seu Hino Eucarístico, conhecido como “Adoro te devote” e reconhecia no Cristo a beleza da ave que alimentava com seu sangue os filhotes.
Com o passar do tempo, soube-se que na verdade o pelicano esmagava em seu papo os peixes e o sangue dos mesmos,  escorria pelo bico, manchando o peito branco da ave. Com isso, Santo Anselmo reconhece na figura do Pelicano também o sacerdote, que em suas mãos oferece o Peixe (ICTUS: "Iesus Christos Theou Uios Soter", que significa "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador") e dá aos seus como alimento de Vida Eterna.
Temos consciência de que Eucaristia é a renovação da aliança do Senhor com os homens e que através dela se realiza de um modo contínuo a obra da Redenção. Temos convicção de que a Eucaristia é o sinal da unidade e vínculo da caridade e que também dela tende toda ação da Igreja e, ao mesmo tempo, é a fonte donde emana toda sua força (cf. SC. 522, 537, 537 e 600).
Que o Fiel Pelicano nos ensine amar mais a Eucaristia, Sacramento no qual Jesus se acha presente, com seu corpo, sangue, alma e divindade. Ele é banquete sagrado, “o pelicano fiel a nos inundar com vosso sangue, sangue no qual uma só gota pode salvar o mundo inteiro” (Santo Tomás de Aquino).


Artigo de Padre Renato Tampellini

5 de janeiro de 2012

Juntos de mãos e corações dados


Um ano a mais se inicia e com ele nossos sonhos, objetivos e ideais. Certamente todos nós estamos animados com a chegada deste ano. Que seja um ano de muitas realizações pra todos nós. Que seja um ano de muitas mudanças, começando por cada um de nós. Sempre com a chegada de um ano novo, gosto de olhar para frente e no longe/perto sorrir para as possibilidades que surgirão e aquelas que faremos surgir.
Não fiquemos remoendo e criando dentro de nós fatos e circunstâncias de 2011, nada que façamos irá mudar o 2011. Portanto, junto com 2011 deixemos de lado as pessoas que nos roubaram interiormente. Deixemos de lado as pessoas que não nos merecem. Deixemos de lado as pessoas que querem cuidar da nossa vida. Deixemos de lado as pessoas passageiras. Deixemos de lado as pessoas que nos decepcionaram. Deixemos de lado as pessoas falsas e medíocres. Deixemos de lado as pessoas interesseiras e gananciosas. Deixemos de lado as pessoas que foram más conosco, elas jamais serão felizes sempre receberão a paga com o mal.  
Que 2012 seja um ano de conhecer pessoas que transformem nossa vida. Que seja um ano de situações que nos ajudem a crescer, ser mais gente. Que seja um ano de surpresas que nos surpreendam. Que seja um ano de risos, de alegria para alegrarmos as pessoas ao nosso redor. E se durante o ano passar por situações de lágrimas que elas se transformem em experiências de vida para superarmos de perdas e decepções. Se durante ano sangrarmos, que encontremos pessoas que nos ajudem no processo de cicatrização das feridas. Que seja um ano de conhecer pessoas se eternizem em nós. Que seja um ano de conhecer pessoas que cruzem nosso caminho e seja nossa felicidade. Que seja um ano de nos orgulharmos da nossa vida e das nossas escolhas. Que seja um ano de semearmos amizade onde passarmos e que distância mesmo trazendo saudade nunca nos faça esquecermos uns dos outros, porque assim não existirão nem distância e nem esquecimento para quem ama. Mesmo que eu não te amasse tanto assim, jamais deixaria de ser amor.