21 de maio de 2012

Milagres de um olhar

Sempre penso em várias cenas relatadas nos Evangelhos e inevitavelmente lembrei-me dos encontros que pessoas de uma sociedade judaica alicerçada na lei de Moisés, eram excluídas, simplesmente pelo fato de serem: leprosos, coxos, cegos, mudos e surdos. Recordei que eles foram acolhidos por certo Galileu desconhecido por muitos, mas que estava fazendo prodígios. Seu nome variava de Galileu, Nazareno, Jesus etc. As curas e os milagres realizados por Jesus eram variados, em lugares diversos e em dia que pelos judeus eram extremamente proibidos.
Confesso-lhes que mis me intriga não são apenas as curas, milagres, palavras de ordem e autoridade proclamadas por Jesus. Existe algo que transcende a isto; falo do encontro silencioso de olhares daqueles que Jesus curava, libertava. De um lado a expressão de um olhar que denunciava o sofrimento e propunha um arrependimento. De outro lado um olhar de quem sentia compaixão e de forma singela conhecia pelo coração.
Jesus os conhecia no olhar, nas palavras. Tudo isso porque a-priori(a principio) os amava profundamente. Ao conhecer cada um pelo olhar interior, revelava a quem olhava um pouco do seu Ser Deus. E quem até então estava sendo olhado por Jesus, o olhava como um grande profeta, porque o olhar de Jesus já os tinha curado.
É verdade que a cura acontecia de forma interligada com a libertação, ou seja, ao curá-los Jesus os devolvia ao convívio da sociedade e já não precisavam mais mendigar a beira das cidades, uma vez que não eram mais mendigos e sim gente que testemunha Deus através da cura, do olhar de Jesus.
O sono já chegou é hora de colher as lágrimas de alegria que cenas como estas provocam em nosso olhar. Mais de 2 mil anos me lembrei que Jesus continua vivo em cada um de nós. Percebo que a sociedade de hoje se encontra de forma diferente, mas com modelos parecidos. Os mendigos de antes que ficavam a porta da cidade, hoje ficam dentro da cidade, continuam sem casa, sem voz, sem vez. Lembrei o quanto é necessário imitar a Cristo, talvez falte a nós a fé necessária para curas e milagres, mas a libertação não deve faltar e pode acontecer. Basta lembrarmo-nos do olhar de Cristo e olhar para estes pequeninos a nossa volta que tanto pedem um olhar de amor, um olhar de Cristo. Olhar que os ame sem preconceitos, um olhar que alivie suas dores e traga a esperança, um olhar sem pressa, um olhar que estenda a mão e abra o coração. Gestos nobres que muito dizem e revelam daqueles que amam sem condição alguma.
Mesmo que muitas vezes o mendigo esteja dentro da sua casa e o que ele deseja é tempo, atenção, carinho, amor e um olhar que há muito tempo não recebe de quem lhe diz todo dia que o ama. Há muita gente sendo olhada, mas poucas sendo amadas. Olhar como Jesus é muito mais do que o encontros de olhares; é o encontro da vida, dos corações, do recomeço.
O sono chegou e chegou a hora de sonhar e sonhar é se encorajar e acordar na certeza de que o dia seguinte é uma oportunidade a mais na vida de olhar e amar, a começar pelos mais próximos de nós, de nossa casa, de nossa rua. Olhar e descobrir coisas que só os olhares confessam, desde que seja olhado com amor.