24 de agosto de 2012

Das pequenas coisas, grandes lembranças


Com o passar do tempo, com a nossa correria do dia a dia, vamos criando dentro de nós um sistema de esquecimento, devido às inúmeras informações e atividades que temos.
 Acredito muito e admiro quando o poeta no seu momento de exaltação contempla coisas que julgamos comuns, mas é justamente delas que ele tira seus poemas e suas conclusões que muitas vezes aplicamos e transformam a nossa vida.
 Quero dizer que se torna comum não percebemos coisas que antes tinham tanta importância pra nós. Existem pessoas que passam dias, meses, anos, tentando conseguir, conquistar algo. Quando os tem, em curto tempo perde aquele encanto, aquela motivação que tanto o impulsionou na busca do ideal.  Partem em busca de novos sonhos e conquistas. Não que eu seja contrário a busca de sonhos. Mas fico imaginando que já não conseguimos mais nos apaixonar pelas coisas e fatos importantes da nossa vida. Mas o Comum, não está nas coisas e nos fatos, mas está na maneira que nós os vemos. Por isso a simplicidade das pequenas coisas transforma a existência, porque elas estão intrinsecamente na nossa essência.
Mas o que intriga é justamente o fato de que muitas pessoas não querem mais se prender a ninguém, não desejam perceber e viver as coisas simples, os fatos corriqueiros, as graças e os risos do dia a dia. Quantas vezes sacrificamos nos pequenos gestos as atenções de Pais para Filhos e nós Filhos para os Pais. A criança aprimora seu laço intimo com os Pais, quando percebe a presença constante do Pai e da Mãe ao seu lado. Coisas simples; um riso, uma careta, um carinho, um barulho, um beijo, um olhar, uma fala. É a simplicidade do Amor.
Entendo que viemos numa época em mudança e numa mudança de época, mas às vezes na minha solidão e nos meus pensamentos bate saudade do que um dia o mundo já foi. Tenho saudade do sítio, quando no cair da tarde nos reuníamos para partilhar as pequenas coisas da vida. Valorizávamos todas as coisas ao nosso redor, nossos pés de manga, de tamarindo, nossa mina d’água, nossas criações de aves e outros bichos. Nosso lar sem grandes estilos, mas de muito aconchego.
Hoje, são poucas as pequenas coisas em nossa vida. Nosso cachorro já não é mais o mesmo, antes ele vigiava, hoje ele também serve de desfile com seus aparatos, roupas, etc. Às vezes damos mais valor ao animal (que deve ter sim atenção) do que as pessoas  com suas  pequenas coisas e fatos.
O meu povo, é tão ruim quando não temos mais as pequenas coisas em nossa vida.  Sem elas vamos perdendo nossa essência. Nas pequenas coisas é que se revelam os maiores atos de amor de humanidade. Elas transformam vidas. Elas devolvem vidas. Nas miudezas da vida que vamos percebendo as nossas maiores carências e na sua simplicidade o quanto as pessoas significam em nossa vida.
Quando olho pro meu passado, percebo que nas grandes lembranças estão eternizadas as pequenas coisas.