10 de agosto de 2011

OS PAIS E OS SUPER HERÓIS


No próximo fim de semana por excelência dedica-se o dia dos pais.
Descobrindo todo o potencial ideológico que existe na mídia convidando ao consumismo, somos convidados a descobrirmos no interior desta data um ser humano.
As vezes corremos o risco de ir colocando em nosso pai uma couraça externa e automaticamente transformamos nosso pai  num super-herói. Criamos dentro de nós uma dependência de atitudes heróicas imediatas que não são próprias de nosso pai.
Na minha infância muitas vezes olhei no meu pai e vi nele um super-heroi dos que a nossa TV Preto e Branco nos mostrava. Entendia e pensava que meu pai podia tudo, que ele podia vencer qualquer outro pai em qualquer situação. Que ele  não chorava, podia sempre nos dar tudo o que nossos olhos viam e que era imortal. É claro que os desenhos que meus irmãos e eu assistíamos na eram como os de hoje. Eram menos violentos e não pregava tanto a ideologia de que o outro é meu inimigo e que ele não é mais meu semelhante, mas é meu competidor.
O tempo passou e descobri que meu pai não era semelhante ao super-herói. Pois comecei a notar suas fraquezas, suas lágrimas, seu envelhecimento. Foi então que entendi que meu pai nunca poderia fazer o que os super-heróis faziam e aprendi  que os super-heróis jamais sobreviveriam no mundo real que pai vivia.
Além de meu pai conheço pais que são muito mais que super-heróis, são homens de coragem, garra, esperança, trabalho e lealdade. Não medem esforços para cuidarem de seus filhos. Que se dedicam na família 24 horas, diferentes dos super-heróis que aparecem na tv alguns minutos e desaparecem. Esses pais mesmo com suas particularidades, defeitos e pecado inerente a todo ser humano são gente muito mais importante que qualquer super-herói.
Meu pai, hoje olhando para os seus olhos que me permitem enxergar sua alma percebo  como és grande. Que saudade me dá, de voltar naquele tempo, que chegava ao fim da tarde mesmo com seu cansaço, tomava seu machado lenheiro em suas mãos calejadas e cumpria sua sina daquele dia. Hoje olhando para seu coração, percebo que deu a mim e a meus irmãos, teus filhos, muito mais do que poderia e merecíamos. Ô meu pai esta distância cruel revela seu sofrimento ainda hoje, sua saúde precária, e sua paciência já no limite com seu mundo de acordar cedo, sofrer serenos, chuvas e sol continua nos arrancando lágrimas e nos faz impotente.
Fico querendo antecipar o tempo para que possa viver com você alguns anos e retribuir tudo o que nos fez, te quero perto de mim, para que possas cuidar de todas as suas limitações e continuar aprendendo com você. Sonho com o dia em que poderei ser uma divina presença na sua vida, como sempre fora um deus humano na minha vida.
Hoje, meu pai, em que partilho das minhas lágrimas da sua distância, com as lágrimas daqueles que não tem mais a oportunidade de tocar no rosto, nas mãos firmes e fortes e sentir segurança, sentir protegido. Só tenho a lhe agradecer meu Pai o que me ensinaste naquela pobreza do sítio está gravado na alma e no caráter e isto nada e ninguém poderão roubar, assim como o que existe misteriosamente entre nós dois, pai e filho, filho e pai.
Perdoe meu pai pelas vezes me deixar se levar pela correria do dia, é que existe tanta gente por aqui meu pai que também precisa do seu filho mais velho. Foi a graças a você e a mamãe em que o seu filho mais velho pode deitar-se um dia homem e se levantar padre. Foi a graças a vocês que seu filho mais velho tornou-se seguidor de um outro Filho.

Padre Renato Gonçalves